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Férias no Cemitério

Este mês de julho está uma maravilha. Começa hoje a mostra Cemitério Perdido dos Filmes B, promovida pela Prefeitura de São Paulo, por ocasião do lançamento do livro de mesmo nome organizado pelo compadre César Almeida - lançado pela Editora Estronho - e que eu tive a honra de participar. Com a curadoria dos filmes deste que vos escreve, o evento trará também palestras com alguns dos autores do livro. E tudo começa hoje mesmo e, claro, de graça. Do dia 5 ao dia 27 serão 12 filmes e 4 palestras que tratarão de diferentes aspectos do cinema exploitation, apresentados por alguns dos gabaritados autores do livro.

A escolha dos filmes levou em conta a presença no livro, tentando contemplar todos os subgêneros abordados. Depois de muita escolha foi possível chegar a doze títulos que serão exibidos com legendas em português e, acredito, são capazes de não só sintetizar o conteúdo do "Cemitério", mas oferecer ao espectador - principalemente o iniciante - um didático e prazeroso panorama do cinema exploitation (ainda que breve). Aliás, normalmente o Cine Demência faz uma lista com os imperdíveis de cada mostra, mas não neste caso. Isso porque há de se admitir que todas as obras e palestras são imperdíveis.

Confira abaixo a programação completa que inclui, além dos filmes, as espetaculares palestras que serão proferidas aos sábados, após a sessão do último filme, às 19h30:


DIA 5 - Sexta-feira

O astro Jim Kelly, falecido semana passada, é homeageado em sessão de "Jones, o faixa preta"

16h
Jones, o Faixa Preta

(Black Belt Jones, EUA, 1974, 87 min, legendado, DVD)
Dir: Robert Clouse.
Jones é um lutador que tem que enfrentar a máfia para ajudar uma amiga ameaçada. Clássico do gênero blaxploitation que mistura ação, comédia e artes marciais.
+16

18h
Os Vivos Serão Devorados
(Mangiati Vivi!, Itália, 1980, 92 min, legendado, DVD)
Dir: Umberto Lenzi.
Em busca de sua irmã, perdida nas florestas da Nova Guiné, uma mulher acaba nas mãos de uma sanguinária tribo de canibais. Clássico exemplar do ciclo de filmes de canibais italianos.
+18


DIA 6 - Sábado

15h - 18h
Lançamento do livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation, com a presença de autores (incluindo o editor deste blog).

16h
Banho de Sangue
(Reazione a Catena, Itália, 1971, 84 min, legendado, DVD)
Dir: Mario Bava.
Uma onda de misteriosos assassinatos atinge uma então pacífica comunidade em uma Baía, trazendo segredos sórdidos de seus habitantes à tona, tornando-os todos suspeitos. O filme que praticamente inventou o slasher.
+16

18h
O Mestre da Guilhotina Voadora
(Du Bi Quan Wang Da Po Xue Di Zi, Hong Kong, 1976, 93 min, legendado, DVD)
Dir: Yu Wang.
Um lutador é perseguido por um mestre que usa uma guilhotina voadora como arma. Um clássico do cinema de artes marciais que foi considerado perdido por muitos anos.
+14

19h30
Palestra com o organizador do livro César Almeida: “Cinema exploitation: uma história de controvérsias”


DIA 7 - Domingo

18h
O Estranho Segredo do Bosque dos Sonhos
(Non si Sevizia un Paperino, Itália, 1972, 102 min, legendado, DVD)
Dir: Lucio Fulci.
Um repórter e uma mulher tentam resolver uma série de assassinatos de crianças em uma remota vila italiana. Obra-prima do italiano Lucio Fulci e um dos melhores giallos já realizados.
+18


DIA 12 - Sexta-feira

A estrela do clássico pornô "Atrás da Porta Verde", Marilyn Chambers, é a protagonista do filme de Cronenberg

16h
Enraivecida
(Rabid, 1977, 91 min, legendado, DVD)
Dir: David Cronenberg.
Após um acidente, uma mulher é submetida a uma cirurgia experimental que acaba por gerar uma mutação em seu corpo com vontade própria e apetite por carne humana. Um dos primeiros filmes de David Cronenberg, o maior diretor canadense de cinema fantástico.
+18

18h
Ilsa, a Hiena do Harém
(Ilsa, Harem Keeper of the Oil Sheiks, USA, 1976, 93 min, legendado, DVD)
Dir: Don Edmonds.
Ilsa, uma ex-agente nazista, encontra um novo trabalho gerenciando escravas brancas para um poderoso xeique árabe. Segundo filme da famosa série de nazisploitation estrelada por Dyanne Thorne.
+18


DIA 13 - Sábado

16h
Santo e a Invasão dos Marcianos
(Santo el Enmascarado de Plata vs La Invasión de los Marcianos, México, 1967, 92 min, legendado, DVD)
Dir: Alfredo B. Crevenna.
Santo, o Mascarado de Prata, tem que enfrentar uma invasão de marcianos que planejam dominar o planeta Terra. Um dos muitos filmes do famoso lutador mexicano, que atuou em mais de 50 produções.
+12

18h
Alucarda
(Alucarda, la Hija de las Tinieblas, México, 1977, 85 min, legendado, DVD)
Dir: Juan López Moctezuma.
Uma jovem órfã é levada a um convento, onde faz amizade com a estranha Alucarda. Juntas elas acabam se iniciando em um perigoso mundo de bruxaria e possessões demoníacas.
+18

19h30
Palestra com Leopoldo Tauffenbach: "Regionalismos no cinema exploitation"


DIA 14 - Domingo

18h
Vinte Anos
(Avere Vent'anni, Itália, 1978, 94 min, legendado, DVD)
Dir: Fernando Di Leo.
Duas garotas ansiosas por novas experiências vão à Roma para viver em uma comunidade hippie, mas nem tudo sai como planejado.
+18


DIA 20 - Sábado

18h
Lady Snowblood

(Shurayukihime, Japão, 1973, 97 min, legendado, DVD)
Dir: Toshiya Fujita.
Yuki é uma mulher que nasceu com uma missão, vingar a desgraça de seus pais por um grupo de bandidos. Filme que inspirou Quentin Tarantino em “Kill Bill”.
+18

19h30
Palestra com Leandro Caraça: “Oriente extremo: exploitation no Japão e na China”


DIA 27 - Sábado

18h
À Meia Noite Levarei Sua Alma

(Brasil, 1964, 94 min, DVD)
Dir: José Mojica Marins.
O coveiro Zé do Caixão busca uma mulher capaz de gerar um filho perfeito e assim preservar seu sangue. A obra mais emblemática do cinema de horror brasileiro.
+18

19h30
Palestra com Laura Cánepa: “O cinema brasileiro e o exploitation”


E ainda tem a mostra na mídia que podem ser conferidas nos links abaixo. Assista os filmes e compareça às palestras! Próximo evento igual a este só quando nosso estimado César Almeida resolver organizar o terceiro volume da série. E já aviso que vai demorar... Portanto não perca e chame os amigos! Esperamos todos lá!

- Site da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo

- Site da Editora Estronho

- Guia da Semana

- Catraca Livre

- Veja SP



Escrito por Tauffenbach às 05h28
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A revolução de Petter Baiestorf
ou como Zombio 2 se mostrou a maior obra de exploitation do cinema nacional

Petter Baiestorf mostra que nem só de pão e boas ideias vive um diretor de exploiation

Ontem, domingo, dia 23, foi o último dia da 5ª edição da mostra Cinema de Bordas, promovida pelo grupo de estudos Formas e Imagens na Comunicação Contemporânea e pelo Itaú Cultural. Infelizmente só foi possível comparecer a três sessões, mas o que importa é que pude ver filmes surpreendentes de fato como Nervo Craniano Zero, de Paulo Biscaia Filho e absolutamente revolucionários como Zombio 2: Chimarrão Zombies, de Petter Baiestorf.

Cena do filme "Nervo Craniano Zero", de Paulo Biscaia Filho

Primeiro vamos ao Nervo Craniano Zero, exibido na quinta-feira, dia 20. Para quem não sabe, Paulo Biscaia é artista multimídia e pesquisador, e está à frente da trupe Vigor Mortis. Tem uma pesquisa profunda sobre o Grand Guignol e leva isso tanto aos palcos como às telas. Nervo Craniano Zero é seu segundo longa-metragem (o primeiro foi Morgue Story: Sangue, Baiacu e Quadrinhos) e apresenta uma história original que parte da existência de um nervo que seria responsável pelo impulso criativo nos seres humanos. Entram em cena os três personagens da história: um cientista desacreditado que cria um dispositivo capaz de ativar esse nervo, uma escritora com problemas criativos e uma garota ingênua que sonha em ser cantora e fora esculachada em um programa televisivo a la American Idol. A escritora quer que o cientista implante o dispositivo nela, mas antes quer testar em uma cobaia, e usa a garota ingênua. E a partir desse mote simples Biscaia joga com questões éticas, ficção científica, gore e não se detém a essa praga chamada verossimilhança que invade o cinema fantástico de hoje em dia. Oras! Sou de uma época onde justamente a fantasia era o território livre da imaginação, onde as regras inexistiam e seres e situações fantásticas simplesmente aconteciam. Quem foi que começou a colocar regras nesse terreno e dizer que temos que ter compromisso com o mundo "real"? Biscaia usa explicações científicas de uma realidade outra para justificar as ações do médico, como retirar o coração dos pacientes submetido ao implante do dispositivo, por exemplo. Nesse sentido, Nervo Craniano Zero é um filme redentor, que coloca a ficção de volta no seu lugar. O único problema do filme é sofrer com os exageros de interpretações teatrais excessivas, mas é algo que ao menos para mim não chegou a comprometer a experiência. Até porque isso não é um problema exclusivo deste filme, mas de quase toda obra audiovisual nacional.

E então chega o domingo e a aguardada sessão de encerramento com Zombio 2, de Petter Baiestorf. Tomei contato com a obra de Baiestorf em 2005, via Carlos Reichenbach. Dali tive a oportunidade de me encontrar com Petter duas vezes, a última durante o 23º Festival Internacional de Curtas, quando exibi um de seus filmes, Manifesto Kanibaru na Lama da Tecnologia Catódica. Durante a apresentação do filme O Doce Avanço da Faca, em 2011, Petter se declarou um diretor de exploitation, um autor de gênero com liberdade suficiente para transitar pelo horror, ficção, gore, softcore e hardcore, sempre rezando pela bíblia da experimentação livre e irrestrita. Claro que isso traz alguns riscos, como o de criar obras irritantes ou inassistíveis. Mas Petter sabe disso. Ele está longe de ser ingênuo. Muito longe. Criar um filme para todos odiarem está em seus planos de dominação do mundo. E eu, honestamente, fui assistir Zombio 2 já esperando 90 minutos de provocações gratuitas. Bem... o filme é provocativo, mas é impossível não amá-lo. Verdade seja dita, Baiestorf criou uma obra-prima referencial do cinema exploitation brasileiro. Qualquer pesquisador de cinema de gênero que passe a ignorar esse filme em uma análise do cenário exploitation nacional irá se mostrar um péssimo investigador.

Leo Pyrata e Petter Baiestorf, ao lado de Leyla Buk, durante as filmagens de "Zombio 2"

Na época da realização do filme, Baiestorf convocou todo o submundo da cinefilia e cinematografia tupiniquim (eu incluso) para contribuir de alguma maneira com o filme. Por motivos profissionais não pude atender ao chamado maior do verdadeiroCinema. Mas muita gente atendeu. O grande subversivo de Minas Gerais, Leo Pyrata, logo se lançou como co-produtor do filme. Figuras carimbadas como Felipe Guerra, Cristian Verardi e Gurcius Gewdner também vieram acudir a produção. Rodrigo Aragão, que estava no meio da produção de Mar Negro, contribuiu com os efeitos de maquiagem.

A história se passa nos anos 80, quando pessoas começam a consumir erva mate contaminada por radiação e se transformar em zumbis. Um grupo de pessoas tenta sobreviver ao caos instalado, mas sem perder a oportunidade de aproveitar as coisas boas da vida. Direto ao ponto. Sem frescura nem grandes motivações morais. Do jeito que um bom exploitation deve ser.

Todos os personagens são marginais. Não há mocinhos ou vilões. Ao menos não há uma visão maniqueísta assim. Todos têm suas motivações e trabalham por elas. Klaus (interpretado por Coffin Souza, parceiro de toda vida de Baiestorf) é um vagabundo andarilho que batalha por sua cota de sexo, drogas e rock 'n roll. Chibamar Bronx é um investigador particular que só quer se dar bem, desejando que zumbis e todo resto da humanidade se exploda. Felipe Guerra e Gurcius Gewdner formam o núcleo religioso como o bispo e o devoto que acabou de abrir sua própria igreja, respectivamente. E temos Gisele Ferran como a prostituta Nilda Furacão; tão boa, mas tão boa, que toma de assalto todas as atenções cada vez que entra em cena. Se é que há algum grande defeito no filme talvez seja o magnetismo de Gisele que faz com que o espectador queira sempre mais. Mais até que os zumbis que deveriam ser o ponto central do filme. Independente de seus atributos físicos - que são explorados à exaustão no filme, para voyeur nenhum colocar defeito - seu carisma pode ser comparado ao das maiores musas de exploitation do mundo, como as estrelas de Russ Meyer, Tura Satana e Cynthia Myers, por exemplo.

Gisele Ferran, a musa

Aliás, Petter prometeu e cumpriu: Zombio 2 é uma avalanche de mulheres nuas e gore. Os zumbis são repugnantes, estraçalham suas vítimas no melhor estilo spaghetti zombies (com a licença de Osvaldo Neto), tanto quanto os personagens humanos. Seja moral ou fisicamente. Não há como não lembrar das podreiras de Umberto Lenzi, Bruno Mattei ou Andrea Bianchi. E estejam avisados para uma cena altamente grotesca envolvendo o traseiro de Coffin Souza que fez o cinema inteiro se contorcer de repulsa. Mas os zumbis também são amor: curiosamente acabam acidentalmente (?) arrancando a blusa de todas as personagens femininas do filme quando tentam atacá-las. Zumbis conectados com o inconsciente coletivo da plateia. E o diretor também, que não poupa citações e homenagens. De todos os filmes de zumbis a David Cronenberg, que tem seu nome emprestado para a empresa responsável pela contaminação. E qual o logotipo das Empresas Cronenberg? O mesmo da EC Comics, responsável pela publicação de clássicos de horror em quadrinhos como Tales From the Crypt e The Vault of Horror. E ainda há espaço para uma livre sequência ao clássico da podreira Street Trash no final. Baiestorf mostra que só aprendeu com os bons.

Zombio 2 pode apresentar alguns defeitos típicos que não interferem na apreciação. Talvez pudesse ser mais curto, já sabendo que a versão exibida na mostra apresenta um primeiro corte. Aliás, vale aqui comentar as valiosíssimas contribuições de Gurcius Gewdner ao filme. Como ator criou um personagem histriônico e verdadeiramente engraçado. Na montagem imprimiu dinamismo ao filme, sendo responsável por grande parte do prazer que envolve assisti-lo. E ainda há a curadoria da trilha sonora, assinada sob pseudônimo, e a contribuição com a música dos créditos finais, à frente da banda Abbracciare Zimbo Trio. Gurcius talvez seja hoje o melhor exemplo de artista multimídia que existe, herdeiro legítimo de Hélio Oiticica e do próprio Petter Baiestorf.

Criatura ataca criador: Zombio 2 é o melhor filme da carreira de Baiestorf

Muitos dos comentários na saída da sessão concordavam que Baiestorf estava retornando às suas origens, lá nos idos da época do VHS. Não sei dizer se seria um retorno. Talvez melhor seja falar em reinvenção ou revisitar a própria obra. Afinal o nível de maturidade criativa e técnica aqui é outro. Se antes Baiestorf podia ser visto como discípulo de Lloyd Kaufman ou Russ Meyer, agora pode ser colocado ao lado. Não faz feio nem deve absolutamente nada a nenhum deles. Minimamente justo para alguém que dedicou toda sua vida ao cinema independente e exploitation. Tua hora é agora, Petter. E Zombio 2 é o filme que redefine tudo.

PS.: e se Baiestorf é o nosso Russ Meyer, Gisele Ferran é nossa Cynthia Myers. Ponto final.



Escrito por Tauffenbach às 14h07
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Clássicos e raros do cinema nacional

Mais uma vez acontece uma edição da mostra Clássicos e Raros do Nosso Cinema, agora em sua 3ª edição, na Cinemateca Brasileira entre os dias 8 de junho e 7 de julho. Desnecessário dizer como a espetacular programação é minimamente obrigatória para qualquer um. Dos filmes exibidos, todos em cópias novas ou restauradas, Cine Demência destaca Anjo Loiro, de Alfredo Sternheim, com Vera Fisher em um de seus mehores momentos; a porrada violenta da denúncia de Cabra Marcado Para Morrer; o pouco visto Corrida Em Busca do Amor, do grande amigo Carlos Reichenbach; o sempre fundamental O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, que deve ser visto na tela grande sempre que a oportunidade surgir; Exorcismo Negro, de José Mojica Marins, revisitando seu próprio cinema; A Morte Comanda o Cangaço, obra fundamental do gênero de cangaceiros, dirigida por Carlos Coimbra; finalmente, O Rei da Boca, de Clery Cunha, exibido em nova cópia e sem cortes. Na verdade essa pequena lista é muito mais uma lista de prioridades que de preferências. Porque a verdade é que no mundo ideal seria possível assistir todas as sessões. A mostra também contará com encontros aos sábados com grandes nomes do nosso cinema. oportunidade única e exclusiva!

Confira o release da mostra e a programação completa:

CLÁSSICOS & RAROS DO NOSSO CINEMA – 3ª EDIÇÃO
08 de junho a 07 de julho de 2013

A Cinemateca Brasileira apresenta, entre os dias 08 de junho e 07 de julho, a terceira edição da mostra Clássicos & raros do nosso cinema. Uma das principais iniciativas de difusão e preservação do cinema brasileiro organizadas pela instituição, a mostra exibe uma seleção de obras consagradas e produções obscuras do cinema brasileiro em versões restauradas e cópias novas.

A mostra Clássicos & raros do nosso cinema se tornou um projeto exemplar para o trabalho desenvolvido pela Cinemateca. Além de optar por um critério de curadoria abrangente, que considera a história do cinema brasileiro como espaço de manifestações variadas, o evento também se diferencia por ações de preservação como a confecção de novas matrizes para a maior parte dos títulos selecionados. Tudo isso aliado à discussão sobre o fazer cinematográfico.

Dentre as várias atrações programadas para a terceira edição da retrospectiva, destacam-se a homenagem ao fotógrafo e diretor Aloysio Raulino, que terá três de seus curtas apresentados em versão restaurada; a exibição do raríssimo curta-metragem de Rogério Sganzerla, Quadrinhos no Brasil; e a apresentação de clássicos como O dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha, A morte comanda o cangaço, de Carlos Coimbra, e Conversas no Maranhão, de Andrea Tonacci. Quanto às raridades há muito fora das telas, destacam-se Katucha... a mulher desejada, de Paulo R. Machado, Mulheres e milhões, de Jorge Ileli, Engraçadinha depois dos trinta, de J. B. Tanko, e Mundo estranho, de Francisco Eichorn.

Os artistas Aurora Duarte, Paulo Sacramento, Andrea Tonacci, Maurice Capovilla e João Silvério Trevisan compõem o elenco de convidados que irão conversar com o público sempre aos sábados.


CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207
próxima ao Metrô Vila Mariana
Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
www.cinemateca.gov.br

Taxa de manutenção: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)

Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.


PROGRAMAÇÃO

08.06 | SÁBADO

18h00 ABERTURA | APRESENTAÇÃO DE AURORA DUARTE | A MORTE COMANDA O CANGAÇO

09.06 | DOMINGO

16h00 MUNDO ESTRANHO
18h00 MULHERES E MILHÕES
20h00 QUADRINHOS NO BRASIL | EXORCISMO NEGRO

12.06 | QUARTA

19h00 KATUCHA... A MULHER DESEJADA
21h00 ANJO LOIRO

13.06 | QUINTA

18h30 CIDADE AMEAÇADA
20h30 O REI DA BOCA

14.06 | SEXTA

18h30 AS AMOROSAS

15.06 | SÁBADO

16h00 IRACEMA, UMA TRANSA AMAZÔNICA
18h00 CURTAS RESTAURADOS DE ALOYSIO RAULINO | ENCONTRO COM PAULO SACRAMENTO

16.06 | DOMINGO

16h00 O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO
18h00 O TIGRE E A GAZELA | ORGIA OU O HOMEM QUE DEU CRIA
20h00 QUADRINHOS NO BRASIL | CORRIDA EM BUSCA DO AMOR

19.06 | QUARTA

19h00 MULHERES E MILHÕES
21h00 ENGRAÇADINHA DEPOIS DOS TRINTA

20.06 | QUINTA

19h00 O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO
21h00 A MORTE COMANDA O CANGAÇO

21.06 | SEXTA

18h30 ADULTÉRIO À BRASILEIRA

22.06 | SÁBADO

15h30 CABRA MARCADO PARA MORRER
18h00 CONVERSAS NO MARANHÃO | ENCONTRO COM ANDREA TONACCI

23.06 | DOMINGO

16h00 COLAR DE CORAL
18h00 O REI DA BOCA
20h30 CIDADE AMEAÇADA

26.06 | QUARTA

19h00 EXORCISMO NEGRO
21h00 QUADRINHOS NO BRASIL | MUNDO ESTRANHO

27.06 | QUINTA

19h00 LACRIMOSA | IRACEMA, UMA TRANSA AMAZÔNICA
21h00 PORTO DE SANTOS | KATUCHA... A MULHER DESEJADA

28.06 | SEXTA

18h00 CABRA MARCADO PARA MORRER

29.06 | SÁBADO

16h00 AS AMOROSAS
18h00 BEBEL, GAROTA PROPAGANDA | ENCONTRO COM MAURICE CAPOVILLA

30.06 | DOMINGO

16h00 ADULTÉRIO À BRASILEIRA
18h00 KATUCHA... A MULHER DESEJADA
20h00 ANJO LOIRO

03.07 | QUARTA

19h00 CORRIDA EM BUSCA DO AMOR
21h00 CONVERSAS NO MARANHÃO

04.07 | QUINTA

19h00 COLAR DE CORAL
21h00 BEBEL, GAROTA PROPAGANDA

05.07 | SEXTA

19h00 A MORTE COMANDA O CANGAÇO
21h00 MULHERES E MILHÕES

06.07 | SÁBADO

16h00 MUNDO ESTRANHO
18h00 ORGIA OU O HOMEM QUE DEU CRIA | ENCONTRO COM JOÃO SILVÉRIO TREVISAN

07.07 | DOMINGO

16h00 COLAR DE CORAL
18h00 ENGRAÇADINHA DEPOIS DOS TRINTA
20h00 CONVERSAS NO MARANHÃO

 

Anúncio de jornal de "Exorcismo Negro", resgatado pelo amigo Carlos Primati e publicado em seu excelente blog Cine Monstro




Escrito por Tauffenbach às 22h17
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William Friedkin no Dia da Fúria

O próprio Friedkin ficou abismado com a qualidade do material sobre ele: "Nunca vi tanta competência na análise da minha obra! Esse pessoal do Dia da Fúria está de parabéns", declarou em uma entrevista (ou assim gostaríamos).

O blog coletivo O Dia da Fúria, também conhecida como a Cahiers du Cinéma tupiniquim, sempre pegando no estômago dos cinéfilos mais ousados, apresenta um especial totalmente dedicado a William Friedkin, um dos cineastas mais viscerais de Hollywood. Com 35 filmes no currículo, Friedkin é conhecido por clássicos como Operação França e O Exorcista, e já teve alguns de seus highlights analizados por alguns dos membros do Dia da Fúria em um especial do blog HQ Subversiva, do compa Caio de Freitas Paes. Para quem perdeu, clique AQUI e confira.

O último filme de Friedkin, Killer Joe, chegou a ficar em cartaz nos cinemas brasileiros por pouco tempo, e ainda que muitos de seus títulos tenham sido comercialmente lançados no Brasil, algumas de suas obras não se encontram disponíveis em DVD por aqui.

O especial do Dia da Fúria já está no ar. Acesse http://diadafuria.wordpress.com/ para conferir. E não deixe de acompanhar também no Facebook em https://www.facebook.com/Diadafuria.

A seguir, o Cine Demência aponta suas cinco obras preferidas do diretor:

Operação França (1971)

Gene Hackman interpreta o policial Popeye Doyle, um agente determinado a desmontar uma rede internacional de tráfico de drogas. Violento (uma característica de todos os filmes de Friedkin, aliás) e aflitivo, um dos melhores policiais da época. O filme levou o Oscar de Melhor Filme em 1972.


O Exorcista (1973)

O filme de terror definitivo. Obrigatório para quem gosta do gênero e de cinema.

 

O Comboio do Medo (1977)

Espetacular refilmagem de O Salário do Medo, de Henri-Georges Clouzot, com [James Woods] Roy Scheider* no papel principal. Nas acertadas palavras do amigo Marcelo Miranda, "o Apocalypse Now! de Friedkin".

* (Como logo me alertou Ronald Perrone: " Eu queria ver essa versão com o James Woods, pô!!! hahaha!". Pois é... carma da minha vida: confundir eternamente Roy Scheider com James Woods e vice-versa.)

 

Parceiros da Noite (1980)

Al Pacino é um policial que tem que se infiltrar no submundo dos homossexuais para apanhar um serial-killer. A experiência cinematográfica mais perturbadora da carreira de Friedkin. E por isso mesmo talvez este seja seu melhor filme.

 

Possuídos (2006)

O péssimo título brasileiro esconde a obra-prima definitiva da paranoia global pós 11 de setembro.



Escrito por Tauffenbach às 07h55
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Cemitério Perdido dos Filmes B

Se você, como eu, trabalha com aquilo que ama, provavelmente sofre de um certo complexo de perfeição. Ou simplesmente é exigente em relação às coisas que acaba por colocar o próprio nome. Por isso mesmo, atire a primeira pedra quem nunca entrou em um projeto que parecia extremamente promissor, mas cujo resultado final ficou tão abaixo das expectativas que acabou virando um segredo guardado a sete chaves, daqueles que não se conta nem para a própria mãe.

Há aproximadamente um ano recebi o convite do amigo César Almeida, autor do livro Cemitério Perdido dos Filmes B, para integrar o time de escritores que seria responsável pela continuação do livro, intitulada Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation. Conhecendo o ótimo trabalho de César como editor, cinéfilo e promotor das artes fantásticas, imediatamente aceitei. Pouco tempo depois recebi a lista final com os nomes dos outros autores do livro. Além de grandes amigos, todos excelentes pesquisadores do cinema de gênero. Estabelecidos os nomes, veio o processo mais delicado: o de seleção e distribuição dos filmes que seriam analizados para essa publicação. Depois era só ver (ou rever, ou ver e rever) os filmes e criar os textos.

Finalizada a etapa principal, chega aquele terrível momento de se entregar tudo para Deus (também chamado de editor, neste caso) e aguardar. É como fazer um bolo. Depois que entrou no forno, só o fogo pode trabalhar ali, e você só pode olhar.

No dia 18 de maio de 2013, durante o Fantaspoa - Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre aconteceu o lançamento do livro, que foi editado pela Editora Estronho, de Belo Horizonte. Infelizmente este escriba não pode estar presente ao lançamento, mas os comentários a respeito do produto final eram muito animadores. Por outro lado, muitas das informações chegavam por amigos. E sabemos que muitas vezes os amigos se animam por nosso envolvimento e esforço, relevando as falhas que eventualmente possam se apresentar. Por via das dúvidas, resolvi aguardar meus exemplares chegarem para me manifestar.

No começo deste post mencionei aqueles casos, quando projetos inicialmente promissores se revelam vergonhosos. Bem, posso dizer, com muito orgulho, que Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation está bem longe disso. Anos-luz. Para falar a verdade, poucas vezes coloquei meu nome em um projeto que me deu tanta satisfação ao me deparar com o produto final. O livro é simplesmente ótimo.

Mas para que o leitor não comece a pensar que fui acometido de um ataque de ego, a partir de agora vamos simplesmente ignorar minha presença nesse projeto.

O livro traz textos escritos por gente do calibre de César Almeida, Ana Júlia Galvan, Carlos Thomaz Albornoz, Cristian Verardi, Ismael Schonhorst, Laura Cánepa, Leandro Caraça, Marco Antonio Freitas, Osvaldo Neto, Otávio Pereira e Ronald Perrone (se não está reconhecendo nenhum desses nomes, vá pesquisar imediatamente). Os autores se alternam analizando 135 filmes, divididos por capítulos separados por gêneros, que vão dos tradicionais exploitation (blaxploitation, nunsploitation, nazisploitation etc) até obscuridades da América Latina e Austrália, passando por diversos gêneros italianos e orientais. São textos que revelam filmes raros, verdadeiras pérolas perdidas, obscuridades e obras ultrajantes, muitas delas desconhecidas do grande público (e muitas vezes até do público especializado). E para completar o livro inteiro é ricamente ilustrado.

Acaba se mostrando uma obra de referência, talvez a única do gênero disponível em língua portuguesa (e, realmente, uma rápida pesquisa pesquisa pela internet só aponta para este livro e seu antecessor), com textos que agradam tanto aos leitores que querem se iniciar neste excitante lado do cinema, como aqueles que querem se aprofundar. Em resumo: uma obra para toda a família. Claro, nem tudo é perfeito: o livro é totalmente contra-indicado a cinéfilos retrógrados ou satisfeitos em suas opiniões, bem como alérgicos a obras extremas ou transgressoras.

E por último, temos que destacar o belíssimo projeto gráfico de autoria de Marcelo Amado, totalmente de acordo com o espírito das obras analizadas no livro. Cada página é um deleite para os olhos (a começar pela capa) e faz do livro, além de uma obra de utilidade pública, um objeto de coleção. Daqueles que fica realemente bonito na estante. Ou, melhor ainda, perto do melhor lugar da sala de estar.

O livro está disponível na versão física e e-book. O E-book pode ser comprado pela Amazon (clique AQUI para ir ao site). Já a versão física pode ser comprada pela Livraria Cultura (AQUI) ou no site da própria Editora Estronho, com desconto e frete grátis (clique AQUI para ir ao site da editora).

E eu cheguei a mencionar que o livro ainda tem textos deste que vos escreve?

 

Vai achando que é pouca coisa! Durante o Fantaspoa, autores do livro "Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation" reunem-se com dois ícones sagrados do cinema fantástico: Ruggero Deodato, diretor do clássico "Canibal Holocausto" e Luigi Cozzi, diretor de "Starcrash" e "Alien - O Monstro Assassino". Da esquerda para a direita: o editor deste blog, Carlos Thomaz Albornoz, Ruggero Deodato, Cristian Verardi, Marco Antonio Freitas, César Almeida e Luigi Cozzi.

ATUALIZAÇÃO: Acabei de receber o link para uma reportagem sobre o livro que saiu no jornal O Liberal de Americana, com entrevista com nosso organizador, César Almeida. Confiram: http://www.oliberalnet.com.br/noticia/3ACCA522373-livro_o_lado_b_do_cinema



Escrito por Tauffenbach às 07h07
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Mais sobre a Sessão do Comodoro na Virada

O público fez enormes filas ao longo de todas as 24 horas de evento para conferir clássicos selecionados por Carlos Reichenbach

No último final de semana, 18 e 19 de maio, aconteceu a Virada Cultural, em São Paulo. Como foi noticiado no post anterior, fui convidado a conceber uma programação em homenagem ao saudoso Carlos Reichenbach e as históricas Sessões do Comodoro. Assim, em parceria com o Ecine - Escritório de Cinema da Prefeitura de São Paulo, foram selecionados 12 filmes para integrar a programação, sendo 6 até então inéditos, mas anteriormente planejados para serem apresentados em futuras sessões.

Os espectadores começam a se acomodar na sala do Cine Olido para a sessão de Santa Sangre, de Alejandro Jodorowsky

Como era de se esperar, o evento foi um sucesso, com todas as sessões lotadas de cinéfilos corajosos que encararam alguns dos filmes mais curiosos, estranhos, provocadores e até indigestos, previamente selecionados por Carlos Reichenbach. Uma breve nota do Estadão confirmou a presença maciça dos cinéfilos ao evento.

Da minha parte, acho que os grandes destaques ficaram com o inovador A Noite do Terror Cego, de Amando de Ossorio, responsável por injetar sangue (?) novo ao gênero dos zumbis; Visitor Q, o filme que quase fez cair meu maxilar quando vi pela primeira vez (aliás, ainda não conheci ninguém que não tenha ficado assim com esse filme) e Cartas de Amor de uma Freira Portuguesa, um dos maiores clássicos de Jesus Franco, belíssimo, exibido em majestoso scope, com áudio original em alemão e legendas inéditas em português.

O editor deste blog, na abertura do evento, apresentando as sessões

Além de agradecer à Secretaria de Cultura, à Prefeitura de São Paulo e ao Ecine, tenho que agradecer o principal: cada uma das pessoas que foi lá prestigiar o evento e, principalmente, se aventurar a rever ou conhecer cada uma das 12 pérolas cinematográficas desta Sessão do Comodoro especial. Como disse um espectador - que eu não conhecia nem lembro de tê-lo visto na época do CineSESC - "Vida longa ao Comodoro!"

O editor deste blog, ao lado do mítico produtor e montador Eder Mazini, o verdadeiro responsável pela Sessão do Comodoro na Virada.

E não podemos deixar de parabenizar a espetacular e ousada programação de Pinku Eiga do Cine Don José, onde foram exibidas gemas com sob os títulos Um Belo Mistério: A Lenda do Grande Pênis e Ejaculando Orações: Uma Prostituta de 15 anos de Idade, além dos clássicos absolutos Escola da Besta Sagrada, de Norifumi Suzuki, e O Embrião Caça em Segredo, de Koji Wakamatsu.



Escrito por Tauffenbach às 22h01
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Comodoro na Virada Cultural

 

Neste final de semana, nos dias 18 e 19 de maio, acontece mais uma edição da Virada Cultural, o mega evento organizado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo. Dentre as já tradicionais sessões de cinema, este ano teremos uma homenagem especial ao histórico projeto de Carlos Reichenbach: as míticas Sessões do Comodoro.

A programação ocupará a sala do Cine Olido por 24 horas ininterruptas, apresentando 12 filmes, sendo 6 clássicos das Sessões de Comodoro e 6 filmes inéditos que estavam programados para futuras sessões. Leiam abaixo o texto de apresentação para o evento e a programação completa no post seguinte, incluindo sinopses e comentários do próprio Carlão! Estão todos mais que convidados para este evento histórico!


Apresentação

Tão extraordinária quanto a filmografia do diretor Carlos Reichenbach, era sua atuação cinéfila.  Carlão nunca dissociou sua atividade atrás das câmeras da sua posição como espectador, diante da tela do cinema. E isso era público: falava muito mais do cinema dos outros que do seu próprio. E usava seus filmes para falar de mais cinema. O exame de sua filmografia nos revela tantas referências e homenagens a diretores e outras produções que já valeria um livro.

Reichenbach indicava filmes e diretores a todas as pessoas que o cercavam. Parentes, amigos, colegas de trabalho, amigos de amigos e desconhecidos. “Filmes são para serem vistos”, declarou certa vez em uma entrevista. Qualquer filme. E ver com olhos livres, sempre.

Surpreendentemente, as pessoas sempre pediam por mais. Ao longo do tempo foi se provando a existência de um público extremamente carente e ansioso por se surpreender pelo cinema pouco convencional ou extremo.

Em 2004, em uma parceria histórica, Carlão e o CineSESC se uniram para criar as Sessões do Comodoro, um projeto que buscava apresentar, mensalmente, filmes que atendessem às necessidades desse público.

Não, o saudoso cine Comodoro não foi ressuscitado. As sessões em questão nasceram da vontade do CineSesc e do cineasta Carlos Reichenbach, através do seu Blog, “Reduto do Comodoro” (http://doiscorregos.blog.uol.com.br/), em recuperar o espírito prospectivo da aventura cinéfila que movia as “Sessões Malditas”, promovidas por Álvaro Moya na década de 70, no extinto Cine Maracha, as “Sessões Especiais” da salinha do Belas Artes, programadas por Bernardo Vorobov, as sessões de meia-noite do Bexiga e, sobretudo, as atuais e concorridas sessões nomeadas de “Raros”, na sala P. F. Gastal, no Centro Cultural Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, programadas por Marcus Mello e Carlos Thomaz Albornoz. (Texto de apresentação do projeto publicado no blog de Carlos Reichenbach, 2004)

O projeto durou oito anos, de 2004 a 2012, e contou com a exibição de mais de cem filmes, entre longas e curtas. Muitas sessões tornaram-se memoráveis, tanto pela raridade e ousadia dos filmes exibidos como pela massiva presença e calorosa reação do público. Público este, aliás, que se tornou assíduo e contribuiu imensamente para o sucesso do projeto. As Sessões do Comodoro tornaram-se uma referência para cinéfilos da cidade, e sua fama chegou a outros estados do país.

Carlão partiu repentinamente, em junho de 2012, deixando órfã uma legião de cinéfilos que compartilhava com ele o gosto por um cinema pouco convencional, visceral e intenso, capaz de atentar contra a apatia e a imbecilização reinante das produções comerciais no reino dos multiplexes. Também deixou, além de um repertório invejável de filmes exibidos ao longo de oito anos, dezenas de outros filmes a serem exibidos, anunciados previamente em seus blogs, nos bastidores do projeto e nas tradicionais conversas informais na porta do CineSESC.

Agora este projeto cinematográfico tão ousado e único – e tão emblemático para a cidade de São Paulo – é homenageado na Virada Cultural, com 24h de exibições no Cine Olido. Serão doze filmes, sendo seis dos filmes de maior repercussão do projeto e seis filmes inéditos que Carlos Reichenbach havia programado para futuras Sessões do Comodoro. Uma ótima oportunidade para os fiéis – como Carlão chamava os espectadores assíduos – matarem a saudade, bem como de apresentar filmes surpreendentes a uma nova geração cinéfila que não teve a oportunidade de entrar em contato com o projeto. Afinal, como diria Carlão, filmes existem para serem vistos.

Leopoldo Tauffenbach



Escrito por Tauffenbach às 23h31
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Os filmes do Comodoro na Virada Cultural

Classificação indicativa: 18 anos

18h - Santa Sangre – Dir.: Alejandro Jodorowsky, 1989 (Exibido na primeira Sessão do Comodoro em 7 de julho de 2004)

Sinopse: Um menino fica traumatizado após presenciar o pai, um dono de circo, cortar os braços de sua mãe, uma fanática líder religiosa. Internado em um manicômio, ele consegue escapar depois de anos, quando reencontra sua mãe. Juntos eles arquitetam um terrível plano para punir todos os responsáveis pelo sofrimento de ambos. Mas para isso o filho deve se converter nos braços da própria mãe.

Comentários de Carlos Reichenbach: Na acepção do termo, um vigoroso “cult-movie”. Alguns críticos o definiram como um filme de terror extraordinariamente raro que transforma o espectador na testemunha impotente do calvário de um mágico de circo enlouquecido. Fellini e Freud dividindo a mesma arena de um circo mambembe. As imagens inusitadas e surrealistas, as cores berrantes, a teatralidade exacerbada – herança das influências do “Teatro Pânico” e da ligação de Jodorowski com Fernando Arrabal – e a busca exasperada de uma estética agressiva e bizarra – onde a cor do sangue é uma constante – fazem de “Santa Sangre” uma experiência emocional que ultrapassa todos os limites da sala de projeção.


20h - Thriller – a cruel picture (Thriller – em grym film) – Dir.: Bo Arne Vibenius, 1974 (Exibido na Sessão do Comodoro de 1º de dezembro de 2004)

Sinopse: Uma garota perde a voz após ser violentada. Anos mais tarde ela é sequestrada para se tornar uma prostituta e acaba tendo o olho furado por seu captor. Quando finalmente consegue escapar, ela dá início a um treinamento intenso e massacrante para levar a cabo um sangrento e implacável plano de vingança.

Comentários de Carlos Reichenbach: Este foi um dos filmes, que reconhecidamente "gerou" “Kill Bill” (1 e 2). Nas palavras de Tarantino, "Thriller, a Cruel Picture" é "the roughest revenge movie ever made". Foi também o primeiro filme a ser banido da própria Suécia por causa de suas cenas de sexo e violência.


22h - De Repente a Escuridão (And soon the darkness) – Dir.: Robert Fuest, 1970 (Inédito na Sessão do Comodoro)

Sinopse: Duas garotas fazem uma viagem de férias à França, e resolvem seguir um roteiro que passa por belos, mas entediantes vilarejos. A certa altura as amigas acabam discutindo sobre os rumos da viajem e resolvem se separar. Surge um estranho, com intenção de ajudar as amigas a se reencontrarem, mas a realidade é que talvez ele não seja o que aparenta, e as amigas se convertem em peças de um sinistro jogo de gato e rato.

Comentários de Carlos Reichenbach: Produção inglesa de Robert Fuest, exibida no Brasil apenas na televisão. Excepcional atmosfera de tensão, que remete - em seus melhores momentos - ao cinema de Fritz Lang.


0h - Emanuelle na América (Emanuelle in America) – Dir.: Joe D’Amato, 1977 (Inédito na Sessão do Comodoro)

Sinopse: A belíssima e famosa repórter Emanuelle (interpretada por Laura Gemser) é chamada para investigar uma suposta rede de produção de filmes clandestinos, que seria financiada por milionários e políticos. Ela usará de todas as suas capacidades investigativas e, claro, seu inegável poder de sedução para desmascarar a rede e trazer toda a verdade a público.

Comentários de Carlos Reichenbach: Joe D´Amato está para a Itália assim como Oswaldo de Oliveira esteve para o cinema brasileiro. Profissional dos mil instrumentos realizou filmes de todos os gêneros e de baixo e médio custo. D´Amato filmava a sexualidade sem nenhuma culpa. D´Amato sabia muito bem a diferença entre sensualidade e sexualidade porque exercitou ambos à exaustão em seus filmes. Era mestre em transformar a mais humilde atendente da quitanda ao lado numa vestal de intensa combustão sexual na frente das câmeras.


2h - A Noite do Terror Cego (La noche del terror ciego) – Dir.: Amando de Ossorio, 1972 (Inédito na Sessão do Comodoro)

Sinopse: Duas amigas, em uma viagem de trem para Portugal, acabam se interessando pelo mesmo homem. Uma das amigas, Virginia, fica com ciúmes e subitamente resolve abandonar a viagem, saltando do trem. Ela vai parar nas ruínas de um antigo castelo, onde resolve descansar. Mas ela não sabe que ali estão enterrados os corpos de cavaleiros templários hereges, vítimas de uma maldição, e que à noite sairão de seus túmulos em busca de sangue.

Comentários de Carlos Reichenbach: Primeiro e surprendente exemplar da tetralogia dos cavaleiros templários.


4h - Visitante Q (Bisita Q) – Dir.: Takashi Miike, 2001 (Exibido na Sessão do Comodoro de 7 de junho de 2006)

Sinopse: Filmado em tom de documentário, esta pesada crítica à sociedade japonesa mostra uma família em crise formada por um pai ausente com uma abalada reputação como repórter, uma filha adolescente prostituta; um filho violento que sofre bullying na escola e uma mãe viciada em drogas. Mas a família se transforma quando um completo estranho resolve se mudar para a casa deles.

Comentários de Carlos Reichenbach: Retrato cruel, por vezes quase ofensivo, de uma família japonesa. Em apenas sete dias e ao custo irrisório de sete milhões de yens (aproximadamente 70.000 dólares), Takashi Miike rodou este drama perturbador com uma câmera de vídeo digital Sony VX 1.000, inspirando-se no absurdo fenômeno dos reality-shows da televisão. “Visitante Q” faz parte da série "Love Cinema", produzida pela companhia CineRocket. Pensado inicialmente para ser distribuído unicamente no mercado de vídeo e DVD, e estimulado pelos diversos prêmios recebidos em festivais, o filme de Takashi acabou sendo lançado em alguns cinemas. A atriz que interpreta a mãe da família é a conhecida artista de "mangá" Shungiku Uchida, que se tornou uma escritora de enorme sucesso com sua autobiografia "Father Fucker". O prestigiado site Midnight Eye elegeu “Visitante Q”, "o melhor e o pior filme de 2001"!


6h - Rock ‘n’ Roll High School – Dir.: Allan Arkush, 1979 (Exibido na Sessão do Comodoro de 4 de julho de 2007)

Sinopse: Evelyn Togar é uma mulher autoritária e repressora que assume a direção de uma escola e inicia uma campanha para banir o rock ‘n’ roll de suas dependências. Mas ela encontra a resistência da bela aluna Riff Randell, fã número 1 da banda de punk Ramones. Com o anúncio de uma apresentação da banda na cidade, a diretora Togar tem a chance de se vingar de Riff e fará de tudo para impedir que ela se encontre com seus maiores ídolos.

Comentários de Carlos Reichenbach: Considerado um dos melhores filmes já feitos sobre rock, “Rock ‘n’ Roll High School” é uma autêntica celebração do "non sense" e da algazarra. Nunca lançado comercialmente no Brasil, o filme é dirigido pelo cineasta mais admirado por seu produtor Roger Corman, Allan Arkush, que posteriormente iria assinar outra comédia genial, debochada e desmistificadora, “Get Crazy” (Na Zorra do Rock) sobre ídolos da música pop.


8h - Fascinação (Fascination) – Dir.: Jean Rollin, 1979 (Inédito na Sessão do Comodoro)

Sinopse: Um ladrão em fuga acaba buscando abrigo em um castelo, habitado por duas belas mulheres. Confiante, o ladrão resolve permanecer ali, achando que se encontra em vantagem. Mas ele não percebe que as mulheres não são tão inocentes e indefesas quanto parecem, e logo ele se verá em uma sinistra situação onde ele é a vítima.

Comentários de Carlos Reichenbach: Jean Rollin, adorado na França e na Bélgica, é o José Mojica Marins gaulês. Sua musa era a intelectual das atrizes pornográficas francesas, Brigitte Lahaie, uma loura de corpo escultural, culta e ninfomaníaca, possuía o órgão genital mais fotogênico da história do cinema. As obras primas de Rollin, produzidas a preço de banana, misturam o vampirismo primitivo e a Lesbos de almanaque com a essência poética dos autores malditos e definitivos como Gerárd de Nerval.


10h - Confissões de um Comissário de Polícia ao Procurador-Geral da República – Dir.: Damiano Damiani, 1971 (Exibido na Sessão do Comodoro de 2 de dezembro de 2009)

Sinopse: Um comissário de polícia investiga crimes envolvendo a Máfia e suas conexões com o mercado imobiliário. Durante as investigações ele acaba entrando em conflito com um procurador. Embora estejam atrás dos mesmos objetivos, seus diferentes métodos de atuação os expõem à manipulação de bandidos infiltrados nos diferentes escalões do governo.

Comentários de Carlos Reichenbach: Um dos grandes filmes políticos da década de 70. Uma autêntica aula de mise-en-scène e síntese. Damiani é o mestre dos finais desconcertantes. Damiani não busca o impacto fácil, como certos diretores "da moda" atuais. É quase impossível sair de seus filmes indiferente ou confortável.


12h - Terror nas Trevas (L'aldilà) – Dir.: Lucio Fulci, 1981 (Inédito na Sessão do Comodoro)

Sinopse: Uma mulher herda um antigo hotel e começa a reformá-lo para retomar as atividades. Mas uma série de acontecimentos bizarros a levam a investigar mais sobre a história do lugar. Ela descobre que o edifício fora construído sobre nada menos que uma das sete portas do inferno, que agora está aberta, permitindo a passagem dos mortos de volta à terra.

Comentários de Carlos Reichenbach: Com "Terror nas Trevas”, "O Segredo do Bosque dos Sonhos", "A Casa do Cemitério", "Cat in the Brain" e "Beatrice Cenci", Fulci cravou à fórceps (leia-se: sem firula, tapeçaria, arabescos, fricotagem, etc) o seu estilo áspero e único no panteão do cinema da Península.
 

14h - Cartas de Amor de uma Freira Portuguesa - Dir.: Jesus Franco, (Inédito na Sessão do Comodoro)

Sinopse: Livremente inspirado nas cartas de Soror Mariana Alcoforado, o filme conta a história de uma jovem que é levada a um convento para se tornar freira. Mas na verdade o convento é somente uma fachada para adeptos de uma seita satânica, que querem entregar a jovem noviça como oferenda a seu mestre supremo: o próprio Lúcifer.

Comentários de Carlos Reichenbach: O safo dos mil filmes, Jesus Franco é frequentemente lembrado como o diretor mais prolífico da história do cinema. Pesquisadores e fãs especulam que o diretor espanhol já tenha realizado cerca de 200 filmes, alguns falam em 300, mas é provável que nem o próprio Franco saiba ao certo quantos filmes dirigiu – muitos dos quais escondido sob uma quantidade absurda (proporcional à sua filmografia) de pseudônimos. Entre as pérolas autênticas de sua vasta produção destacam-se “Cartas de Amor de uma Freira Portuguesa” (com direção de arte do amigo e cineasta luso-gaúcho David Quintans), “Succubus” e “O Horrível Dr. Orloff”.


16h - Banho de Sangue (Reazione a Catena) – Dir.: Mario Bava, 1971 (Exibido última Sessão do Comodoro programada por Reichenbach, em 6 de junho de 2012)

Sinopse: Em uma baía isolada o clima de desconforto se instaura entre os habitantes por causa das ambições de um arquiteto e o conflito com uma velha condessa, proprietária de todas as terras. Após a misteriosa morte da condessa todos os habitantes passam a desconfiar uns dos outros, e os segredos mais sórdidos de cada um emergem. Mas o assassino ainda está à solta, e seu trabalho ainda não terminou, para desespero dos moradores da baía.

Comentários de Carlos Reichenbach: Um clássico do cinema de horror e do mestre Mario Bava, “Banho de Sangue” é considerado o filme que inaugura o gênero "slasher", com seus assassinos psicopatas que matam aleatoriamente.



Escrito por Tauffenbach às 23h30
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   Cáspita!

Zombis maledettos!


Começa nesta sexta, dia 19, uma das mostras mais bacanas do ano em São Paulo: Spaghetti Zombies 2.0: zumbis no cinema de horror italiano. Um apanhado com o melhor do pior dos filmes de zumbis da terra de Marco Polo, pai da multi-bilionária indústria do macarrão. A mostra foi realizada pela primeira vez em Recife pelo brazilian trash guru Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja e recebeu a colaboração de Eduardo Santana, diretor do Cinefantasy, nesta edição paulistana ampliada.

Embora todos se lembrem de George Romero como pai dos zumbis (e só é o pai se considerarmos outros muitos avôs), os italianos talvez tenham explorado muito mais os zumbis em seu cinema, ainda que tardiamente. Depois dos muitos filmes dos anos 60 com zumbis haitianos, fruto de magia negra e vodu, Romero estebeleceu um novo modelo de mortos-vivos que serviria de base para futuros filmes ao redor do mundo. Já na Espanha o cineasta Amando de Ossorio também faz a lição de casa mostra sua versão de zumbis: templários ressurrectos condenados por um pacto demoníaco. Conhecidos como "os mortos sem olhos", a série espanhola gerou uma série com quatro filmes e inspirou outros tanto. Inclusive na Itália, onde os templários foram substituídos por etruscos. Nada mais apropriado que retornar às origens. Afinal, convenhamos que nem na Espanha ou na Itália zumbis haitianos fariam muito sentido.

Em 1974 o espanhol Jorge Grau dirige a excelente produção ítalo-espanhola Zumbi 3 (Non si deve profanare il sonno dei morti) rodada na maior parte na Inglaterra. Em Zumbi 3,os mortos são reanimados por uma contaminação radioativa, reverberando os mortos de Romero. Mas a Itália só entraria pra valer no jogo 10 anos depois de A Noite dos Mortos Vivos, quando Lucio Fulci realiza o famigerado Zombi 2, tentando dar sequência à saga de Romero de maneira livremente inspirada. Daí em diante, é ladeira abaixo.

O mundo inteiro já tinha explorado a temática dos cadáveres ambulantes. Os espanhóis já tinham encerrado sua saga de zumbis templários, e até os franceses já tinham abocanhado o filão, inclusive com zumbis nazistas. O que faltava explorar? A resposta era simples: toda a escatologia que a temática sugere, mas ninguém teve coragem de filmar. Estamos falando de corpos em decomposição animados por um impulso violento de se alimentar de carne humana (ou não necessariamente, como Fulci nos mostra em alguns de seus filmes). Cria-se a fórmula corpos em decomposição + corpos dilacerados por corpos em decomposição = cenas grotescas de revirar o estômago. Pronto! Mangia che te fa bene!

A mocinha prestes a ter o olho dilacerado por uma farpa de madeira em Zombi 2, de Lucio Fulci. Fãs do gore, alegrem-se: a cena é mostrada em detalhes grotescos.

Só o maestro Fulci foi responsável por cinco filmes de zumbis em um período de quase dez anos. Mas óbviamente ele não foi o único. Muitos outros diretores italianos correram atrás dos mortos-vivos para garantir a sua fatia do bolo, e criaram obras memoráveis, seja pela excelência ou pelo baixíssimo nível. Diretores populares como Umberto Lenzi, Bruno Mattei, Claudio Fragasso, Sergio Martino e outros criaram suas variações para o tema, e até comédias surgiram como Io Zombo, Tu Zombi, Lei Zomba, de Nello Rossati. Esses filmes tinham tanto apelo popular que foram exporatados para todas as partes do mundo, incluindo EUA e Brasil, onde muitos dos filmes exibidos na mostra chegaram a ser exibidos nos cinemas da época e posteriormente lançados em VHS. Infelizmente a maioria dos títulos continua solenemente ignorada em DVD por aqui.

Capa do VHS de "Predadores da Noite" (Virus) de Bruno Mattei, que será exibido no dia 27 de outubro, às 16h. A capa foi gentilmente cedida por Felipe Guerra, do blog Filmes Para Doidos.

Mas como toda fonte um dia seca depois de tanta exploração, os zumbis italianos começaram a desaparecer dos cinemas ainda no final dos anos 80. Contam-se nos dedos as produções posteriores ao período, mas vale detacar a obra do talentoso Michelle Soavi, Dellamorte, Dellamore, uma visão extremamente criativa e inovadora que rendeu um dos melhores filmes já realizados sobre o tema.

Pois a mostra Spaghetti Zombies 2.0 tenta passar ao público uma ideia do que foi essa produção de cinema popular na tália. Em tempos de mortos-vivos retornando à pauta da cultura pop, nada mais justo do que examinar atentamente um dos mais importantes períodos da produção de cinema de gênero no mundo, e que serviu de base para muitos cineastas das gerações seguintes. Vale lembrar que a mostra começa nesta sexta, dia 19 e vai até o dia 27 de outubro, mas nenhum filme será reprisado. Então, se perder, perdeu! A programação completa pode ser vista no site da Prefeitura de São Paulo, clicando aqui. E não percam o incrível debate que acontece no sábado, dia 20, às 19h30, logo após a exibição de Dellamorte, Dellamore, quando o editor deste blog se juntará ao jornalista Marcelo Carrard e o curador Osvaldo Neto para falar sobre... adivinhem? Zumbis no cinema italiano, oras!

A propósito, o cartaz criados para a divulagação da mostra foram concebidos e executados por este que vos escreve, totalmente inspirados pelas capas da Cripta. Abaixo estão outras duas versões do cartaz. Escolha a sua favorita e sai divulgando por aí. Nós e os zumbis agradecemos!

SERVIÇO:

O quê: Spaghetti Zombies 2.0
Quando: De 19 a 27 de outubro. Sessões às 16h e 18h. Debate dia 20, às 19h30.
Onde: Biblioteca Viriato Corrêa. Rua Sena Madureira
, 298 - Vila Mariana (próximo ao Metrô Vila Mariana)
Quanto: GRÁTIS!

 



Escrito por Tauffenbach às 15h34
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O verdadeiro Rei do Horror

Assim mesmo, com letras maiúsculas, como um segundo nome. John Carpenter é sem dúvida alguma um dos diretores fantásticos mais emblemáticos das últimas 3 décadas. Com erros e acertos, construiu uma filmografia única e memorável. E quem aqui dirá que não?

No ano passado o Festival do Rio trouxe o maestro italiano do horror Dario Argento. Este ano foi a vez de Carpenter com uma retrospectiva que, embora não contemple toda sua filmografia, já entrou para a História. E o CineSESC, em parceria com o Festival, trouxe esta espetacular programação para São Paulo, que começou ontem, dia 5 de outubro, e vai até o dia 14. Confira a programação completa no Guia da Semana.

Carpenter começa sua carreira de diretor com curtas de ficção científica ainda nos anos 60. Faz sentido que seu primeiro longa, Dark Star, de 1974, seja também uma ficção científica, porém carregada de humor negro e sem se levar a sério. Por acaso Dark Star é o começo de carreira de outro ilustre: Dan O'Bannon, roteirista de Alien e muitos outros filmes. Em 1976 Carpenter faz Assalto ao 13º DP, um filme que já demonstra traços típicos da personalidade fílmica do diretor. Aqui, uma delegacia prestes a ser desativada é cercada por bandidos que querem a cabeça de um prisioneiro. A história parte daquele clichê onde um grupo de pessoas encontra-se isolado e ameaçado por algum elemento externo. Poderiam ser fantasmas, lobos, zumbis. Mas Carpenter preferiu colocar uma gangue de latinos. E acertou em cheio.

E finalmente, em 1978, Carpenter redefiniu paradigmas do cinema de horror com Halloween. O filme, que dispensa comentários, inspirou inúmeros outros filmes e rendeu mais 5 continuações e duas refilmagens pelas mãos de Rob Zombie (desnecessárias, diga-se de passagem). A revisão do filme na retrospectiva reforça a genialidade de Carpenter, que consegue fazer qualquer um acabar com as unhas com um filme relativamente simples, com poucos personagens e ambientes (toda a história se passa em um quarteirão de uma pequena cidade, praticamente entre duas casas).

Mas vamos direto ao que interessa. Para o editor deste blog, Carpenter produziu duas obras-primas incontestáveis, autênticos ícones do cinema fantástico; filmes que merecem estudos profundos da parte de qualquer pessoa que se interesse minimamente por cinema de gênero: Enigma de Outro Mundo e Fuga de Nova York. Ambos estrelados pelo alter-ego de Carpenter, Kurt Russel.

Enigma de Outro Mundo é mais uma versão que uma refilmagem de O Monstro do Ártico, de 1951. E com todo respeito a um clássico de ficção científica dos anos 50, a versão de Carpenter é insuperavelmente superior, se é que cabe aqui comparar os dois filmes. Perdi a conta de quantas vezes assisti esse filme na TV, todas as vezes com a mesma ansiedade. Cada revisão o filme se mostrava tão eficiente em provocar pavor quanto da primeira vez. Como promete a chamada no cartaz, o filme é "o máximo em terror alienígena". Talvez não supere Alien nesse sentido, mas seguramente não está abaixo em nada. Muito da fórmula de sucesso - e de sustos - está nos efeitos especiais inacreditáveis, grotescos e apavorantes de Rob Bottin. Só quem assistiu sabe que ainda está para nascer um efeito em CG que supere o trabalho desenvolvido nesse filme. E claro, temos a cafajestice habitual de Kurt Russel, uma atração à parte.

Fuga de Nova York também é outro que foi incansavelmente visto na televisão. Passado no futuro ano de 1997, Kurt Russel interpreta Snake Plissken - ou Cobra Plissken na versão dublada -, um presidiário que recebe a missão de resgatar o presidene dos EUA, cujo avião caiu em Manhattan, agora transformada em uma prisão de segurança máxima. Um filme sujo que além de apresentar Kurt Russel de mullets e tapa-olho, ainda conta com um elenco de peso com Lee Van Cleef, Ernest Borgnine, Isaac Hayes, Donald Pleasence e Harry Dean Stanton. Não tem como uma combinação dessas dar errado. O filme teve uma continuação inferior em 1994 chamada Fuga de los Angeles, também dirigida por Carpenter e com Russel novamente no papel principal.

Aos cinéfilos de São Paulo e do Rio, essa retrospectiva é mais que obrigatória. É uma oportunidade de conhecer e rever um dos autores mais importantes do cinema fantástico, referência de gerações passadas e, assim espero, futuras gerações de cinéfilos e cineastas.

Um pequeno PS: a franquia Halloween tem 7 filmes. Ao falar das continuações desconsiderei o terceiro capítulo que não tem absolutamente nenhuma conexão com o filme de Carpenter e suas sequências, ainda que mesmo assim seja um ótimo filme.

A diversão do final de semana está garantida. Obrigado, tio Carpenter!

 

ATUALIZAÇÃO 07/10:

De volta após a sessão de Enigma de Outro Mundo, confirma-se a impressão de sexta-feira, após a sessão de Halloween (e confirmando o óbvio): não importa quantas vezes os filmes tenham sido vistos, todos mudam na tela grande. São outros filmes, com dimensões e tempos diferentes. Tudo se torna grandioso, dos cenários e atuações até mesmo a trilha sonora. Ainda que estejamos vivendo na Era Torrent, o cinema como experiência continua insubstituível. Perdi as contas de quantas vezes assisti Enigma de Outro Mundo na tela da TV, mas isso não impediu que eu tivesse a sensação constante de estar diante de algo novo, mesmo já sabendo exatamente o que aconteceria a seguir.



Escrito por Tauffenbach às 19h34
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Apocalipse Cronenberg

Ontem assisti Cosmópolis, último filme de David Cronenberg, em uma sessão no Cine Bristol, aqui em São Paulo. Sendo fã quase incondicional de Cronenberg ("quase" por causa de Fast Company e M. Butterfly, seus dois únicos escorregões), as expectativas eram naturalmente altas. E tenho que admitir que eram mais altas ainda pela possibilidade de Cronenberg retornar ao seu cinema marca registrada, aquele de seres humanos que fogem do humano para se tornarem seres ainda indefinidos. O filme não era o que eu imaginava que seria, mas me deixou mais atordoado do que eu esperava. Ainda bem!

Uma das razões para tal sensação é a indescritível simplicidade do filme. Ainda que seja um filme com muitos diálogos, tentar traduzi-lo em palavras pode gerar um efeito colateral que é o de deturpar a obra. Ao menos para mim, até agora não consegui escolher as palavras mais apropriadas para descrevê-lo. Sim, é uma crítica ácida e feroz ao capitalismo, mas também é uma ficção científica apocalíptica, e também um filme que volta a dialogar com os trabalhos viscerais anteriores de Cronenberg. A única palavra que encontrei até agora para definir o filme é "indigesto". Como todo bom Cronenberg deveria ser.

Hoje, em busca de palavras que pudessem me ajudar a escrever sobre o filme, visitei o blog do Inácio Araújo. E qual não foi a minha surpresa ao ver que este crítico que tanto admiro justamente por seu talento em transformar cinema em palavras simplesmente declarou que "a distância entre Cosmópolis e o que a gente tem visto ultimamente é tão acentuada que não me dá nem vontade de escrever a respeito". E realmente. Quem sabe seja melhor não falar muito sobre o filme mesmo. Talvez palavras não caibam para descrever essa experiência cinematográfica. Mas Inácio também fala sobre Cronenberg voltando a ser Cronenberg. Não há como não lembrar de Videodrome, Crash, eXistenZ e até Calafrios. Mas não é só isso. Talvez eu tenha enlouquecido de vez, mas também me lembrei de O Homem que Caiu na Terra e Independence Day. Assim mesmo, os dois misturados. Imaginem um personagem alienígena, meio que deslocado e alheio ao mundo das massas. O mundo dos "normais". E ao mesmo tempo esse alienígena também é um predador desse mesmo mundo. É possível isso?

E isso é o máximo que consegui chegar. Acabaram as palavras. Mas posso dizer, sem dúvida, que este é o filme mais difícil de Cronenberg. Faz sentido: nosso mundo está mais difícil. Já passamos por Calafrios, Videodrome, Crash e eXistenZ. Hoje a realidade representada nesses filmes é notícia de rodapé nos nossos jornais.

E no final o leitor me pergunta: "mas o filme é bom, afinal?" Não... é excelente. Uma daquelas coisas que vai deixar seu cérebro no cantinho, meio que de castigo, repensando a vida. Vejam com urgência.

Um P.S.: a sessão do Cine Bristol mostrava claramente que o projetor não estava em sua melhor forma. A luminosidade do filme oscilava regularmente e a legenda apresentava um brilho distorcido que expandia para o filme. Por isso mesmo não faço a menor ideia se as cores que eu vi são as cores reais do filme como deveria ser. De qualquer maneira esse "incidente" imprimiu uma textura interessante que dialogava com o filme.



Escrito por Tauffenbach às 19h29
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Sessão do Comodoro Especial no Festival de Curtas

Começou nesta sexta-feira, dia 24 de agosto, a 23ª edição do Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo. Tão tradicional e fundamental como a Mostra Internacional de Cinema de Leon Cakoff, o Festival mais uma vez prova a sua importância na difusão da produção audiovisual de curta duração com diversos programas especiais espetaculares. Este ano o editor deste blog foi convidado a realizar a curadoria de uma sessão especial em homenagem às Sessões do Comodoro, do nosso mestre Carlão. Tenho que confessar que embora tenha ficado extremamente emocionado com o convite, de início a ideia me apavorou um pouco. Afinal, como programar uma Sessão do Comodoro sem o aval de seu criador? Mas a verdade é que se esses oito anos de Sessões do Comodoro serviram como um grande curso de prospecção cinéfila transgressora, tenho que admitir que eu aprendi alguma coisa. Afinal eu e todos os frequentadores das sessões tivemos um dos melhores professores do mundo.

Tentei honrar não só o Carlão, mas também os espectadores que acompanharam esse projeto durantes todos os seus anos de duração. Não foi simples, mas foi extremamente prazeroso, e no final acredito ter criado uma programação à altura desse projeto tão caro a todos nós. O eixo principal da curadoria privilegiou filmes inovadores e transgressores, que ao mesmo tempo relacionavam-se com a figura do próprio Carlão. Confira abaixo a programação e as razões que me levaram a escolher cada um dos curtas dessa sessão.

Sangue Corsário (Carlos Reichenbach, 1979): um dos curtas mais emblemáticos de Carlão, traduz muito bem seus questionamentos e a ideologia corsária, uma de suas características mais marcantes. Com colaboração de jairo Ferreira no roteiro, o curta é estrelado por duas figuras emblemáticas do universo reichenbachniano: o crítico e poeta Orlando Parolini e o ator Roberto Miranda.

Olhar e Sensação (Carlos Reichenbach, 1994): excelente obra experimental que trata de uma das personagens mais marcantes e constantes nas obras de Reichenbach: a cidade. Produzido por Sara Silveira, sócia, parceira e amiga de Carlão por mais de 30 anos e fotografado pelo também amigo e diretor Conrado Sanchez.

Aventura, Amor e Transporte Público (Bruno de André, 1991): curta de Bruno de André, crítico, diretor, ator, parceiro e amigo de Carlão, além de frequentador das Sessões do Comodoro. A ideia inicial era incluir outro curta, A Origem dos Andamentos, mas por sugestão do próprio Bruno foi escolhido este que traz fotografia de Carlos Reichenbach e montagem de Andrea Tonacci.

O Guru e os Guris (Jairo Ferreira, 1973): primeiro curta do difusor da crítica de invenção e do cinema de invenção, trata de atividades cinéfilas como posição de resistência. Fotografado por Carlos Reichenbach e montado pelo crítico Inácio Araújo, um de seus amigos mais próximos.

Hi-Fi (Ivan Cardoso, 1999): ousada obra experimental sobre o movimento concreto paulistano, inspirado nas obras dos irmãos Campos e de Décio Pignatari, fonte de inspiração a muitos dos cineastas da Boca do Lixo, incluindo Carlão.

Manifesto Kanibaru na Lama da Tecnologia Catódica (Petter Baiestorf, 2003): obra do cineasta independente e iconoclasta Petter Baiestorf, de Santa Catarina, criador do Manifesto Canibal. Carlão foi um dos principais divulgadores do trabalho de Baiestorf em São Paulo e grande admirador de sua posição transgressora.

Freddy Breck Ballet (Gurcius Gewdner, 2010): Gurcius Gewdner, parceiro de Petter Baiestorf em diversos filmes, dedica esta obra a Carlos Reichenbach, dividindo com ele sua paixão por um dos maiores cantores populares da Alemanha. Poucas pessoas sabem que Carlão também era músico e dedicado arqueólogo de raridades musicais,como este Freddy Breck.

Mas não é só! Como Carlão adorava um elemento surpresa, a sessão ainda conta com mais quatro filmes espetaculares que só serão anunciados na hora! Você não perde por esperar esta sessão histórica em homenagem a um dos maiores cineastas brasileiros e seu projeto cinéfilo!

Também não podemos esquecer de agradecer de coração às muitas pessoas que tornaram esta sessão possível. Para começar, Carlão Reichenbach, meu pai espiritual que tanto me deu e me transformou. Aos diretores dos curtas, Ivan Cardoso, Bruno de André, Petter Baiestorf, Gurcius Gewdner e Jairo Ferreira. Aos parceiros, Eugênio Puppo, da Heco Produções e Paulo Sacramento, da Olhos de Cão Produções. Zita Carvalhosa e Beth Sá Freire, diretora e diretora adjunta do Festival, que me convidaram para esta empreitada fabulosa, e Marcio Miranda Perez, amigo de longa data, organizador dos programas latino-americanos. E claro, Gilson Packer, Simone Yunes e toda a equipe do CineSESC, que abraçaram este projeto com carinho durante os seus oito anos e que novamente recebem uma Sessão do Comodoro neste momento especial. A todos, muito, muito obrigado!

E não se esqueçam! A Sessão do Comodoro acontece nesta quarta, dia 29 de agosto, às 22h no CineSESC (Rua Augusta, 2075). A sessão é gratuita! Não percam por nada neste mundo! Para mais informações acesse o site do Festival: http://www.kinoforum.org.br/curtas/2012/


...enquanto isso, em uma galáxia ali na esquina...

E terminou neste final de semana uma das melhores mostras que São Paulo já recebeu: Os Clones de Star Wars, com organização de Eduardo Santana e Felipe M. Guerra. A verdade é que seria chover no molhado elogiar uma mostra que parte da ideia de rip-offs de Star Wars e exibe pérolas como Mercenários das Galáxias, Star Crash, O Humanóide e os abortos Dünyayi Kurtaran Adam (também conhecido como Star Wars Turco) e Star Wars Holiday Special. Mesmo assim é importante destacar a ousadia dos amigos e organizadores em levar a cabo estas exibições, apresentando obras únicas e divertidíssimas, tão pouco conhecidas até mesmo dos cinéfilos mais empenhados. Independente da qualidade fílmica das obras (há quem diga que são melhores que o original de George Lucas), trata-se de um recorte importantíssimo do cinema de gênero, fundamental para quem realmente se considera cinéfilo.

E existem rumores que mais mostras vem aí, ainda mais surpreendentes do que essa. É esperar para ver!



Escrito por Tauffenbach às 22h07
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O pesadelo de George Lucas

 

Olha, George, autorizar não autorizou. Mas eles fizeram assim mesmo!

Se você nasceu neste planeta, você obviamente já assistiu Star Wars, ou minimamente sabe do que se trata. Obra definitiva da ficção científica. O evento cinematográfico do milênio. Maior crime da história da sétima arte. Não importa. Star Wars é, sem dúvida alguma, um divisor de águas no cinema. Para o bem ou para o mal.

O próprio George Lucas declarou inúmeras vezes que nunca sequer imaginou a proporção que sua humilde space opera acabou tomando ao longo dos anos. Como já foi exaustivamente dito, a fórmula do sucesso de Star Wars está muito mais na caracterização de elementos arquetípicos universais, tal como descrito minuciosamente nas obras de Joseph Campbell e Carl G. Jung. A façanha de Lucas foi juntar tais elementos universais com clichês de faroeste e ficção científica. Ou seja: querendo ou não, Lucas conta uma versão de uma história que não é dele, mas de toda a humanidade.

Não à toa, toda a humanidade se sentiu no direito de usar a história de Lucas e aproveitar alguns dos clichês utilizados por ele para criar outros filmes. Afinal, como taxar copyright na cultura ancestral? Seria o mesmo que querer patentear os nomes das cores (não que já não tenham tentado). Com o inacreditável sucesso financeiro de Star Wars ao redor do mundo, seria possível que obras semelhantes também pudessem usufruir de ao menos parte da fortuna gerada nas bilheterias dos cinemas. Sem surpresa alguma, logo após a estreia de Guerra nas Estrelas, muitas cópias começaram a pipocar em lugares diversos do mundo, como Japão, Turquia, Itália, EUA eaté mesmo no Brasil. Cópias ou - para usar um termo explorado pelo próprio George Lucas - clones desta obra cinematográfica que inaugurou a era dos blockbusters e quebrou os paradigmas da indústria cinematográfica.

E eis que a partir de amanhã, na Biblioteca Viriato Corrêa, em São Paulo, começa uma das melhores mostras do ano, idealizada pelos insanos e corajosos Felipe Guerra e Eduardo Santana: Os Clones de Star Wars!

Na verdade essa é uma mostra esperada há anos. Serão 10 seletos filmes que se apropriam de elementos da saga de Lucas e hoje são objetos de culto e estudos profundos e, principalmente depois da nova trilogia, chegam a superar os filmes da franquia em termos de diversão. Alguns dos filmes em cartaz na mostra já foram discutidos aqui no Cine Demência (confira aqui e aqui). Mas o que vale mesmo é conferir os filmes na confortável sala da Biblioteca Viriato Corrêa, onde algumas obras serão apresentadas pela primeira vez com legendas em português. E é tudo de graça, ainda por cima. O que mais vocês querem? Claro que este é um evento seríssimo e no sábado, dia 18, logo após a exibição do clássico Star Wars Turco às 19h, o editor deste blog mediará um acalorado e profundo debate com o curador Felipe Guerra e o jornalista e historiador Leandro Caraça onde será discutida a influência das cópias de Star Wars e o futuro da humanidade. Eu não perderia isso por nada nesta galáxia.

Para mais informações, acessem o blog Filmes Para Doidos, de Felipe Guerra, onde encontrarão um excelente post com informações e trailers de cada um dos filmes da mostra. Acessem também a página da mostra no Facebook: https://www.facebook.com/ClonesDeStarWars

E aqui vão as recomendações do Cine Demência para os leitores:


Mercenários das Galáxias (sexta, dia 17, às 19h)
Clássico das reprises na TV, poderia se chamar O Ataque dos Clientes da Cantina de Star Wars. Produção do mestre Roger Corman.


Star Wars Turco (sábado, dia 18, às 19h)
Um filme inesquecível, para o bem ou para o mal. Amando ou detestando, você nunca mais será capaz de tirar as imagens deste filme da sua cabeça. Absolutamente imperdível!


Os Trapalhões na Guerra dos Planetas
(domingo, dia 19, às 14h)
Os Trapalhões chupinhando Star Wars. Precisa falar mais alguma coisa?


Star Wars Holiday Special (sábado, dia 25, às 17h)
Um aborto cinematográfico da qual o próprio George Lucas tem vergonha. Perdido durante anos, esta obra mostra a saga de Chewbacca para tentar regressar ao seu planeta natal e passar o feriado com a família.

E não percam de jeito nenhum! Depois não adianta chorar! Espero todos lá.

Serviço:

Mostra OS CLONES DE STAR WARS
17 a 25/08 (sexta a domingo)
Classificação livre
Entrada franca

Biblioteca Viriato Corrêa
Rua Sena Madureira, 298 - Vila Mariana
Tel.: 11 5573-4017 e 11 5574-0389
3ª a 6ª feira das 10h às 19h
Sábados e domingos das 11h às 18h
Dia 18 de julho das 10h às 17h



Escrito por Tauffenbach às 17h56
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   News of the World

Extra! Extra! Boletim Cine Demência!

 

 

As muitas homenagens a Carlos Reichenbach

Carlão em homenagens no Cinusp e na Cinemateca

Emocionante, é o mínimo que se pode falar da Sessão Especial do Comodoro na última quarta, dia 4, no CineSESC. Com a presença de muitos dos frequentadores fiéis das sessões, a família do querido Carlos Reichenbach e muitos amigos e parceiros - entre eles a produtora Sara Silveira - a sessão apresentou uma bela cópia em 35mm de Alma Corsária, o filme mais Carlão do Carlão, na opinião deste blog. O 100º longa-metragem do projeto, no dia em que se comemorou seus 8 anos de atividade. Não podia ser de outro jeito.

Enquanto isso, o Cinusp realizará, do dia 10 a 19 de julho, uma retrospectiva da obra de Carlos Reichenbach, com a projeção de vários de seus filmes em 35mm. A programação completa você encontra no site do Cinusp: http://www.usp.br/cinusp/

Já na Cinemateca, a mostra A Boca em Roterdã trará clássicos da Boca do Lixo na tela grande até o dia 5 de agosto. Nesta terça, dia 10, teremos uma homenagem ao Carlão com a apresentação de Lilian M: Relatório Confidencial e Império dos desejos em cópias em 35mm restauradas. Confira toda a programação em http://www.cinemateca.gov.br/programacao.php?id=236


A primeira vez do cinema brasileiro

Cartaz do filme original de Raffaele Rossi

E ontem, dia 7 de julho, comemorou-se os exatos 30 anos da estreia do primeiro filme de sexo explícito brasileiro: Coisas Eróticas, de Raffaele Rossi. No Cine Windsor, o mesmo lugar onde o filme estreou, aconteceu a pré-estreia do documentário A Primeira Vez do Cinema Brasileiro, dirigido por Hugo Moura, Denise Godinho e Bruno Graziano. O filme conta a história desta histórica produção que marcou a entrada do Brasil nas então inexploradas terras do cinema pornô. Com uma temática dessa, o documentário já nasce um sucesso, é claro. Obrigatório para todos aqueles que mnimamente se dizem interessados em cinema. Obrigatório também para os especialistas: sejam os especialistas em cinema nacional, cinema pornô, ou ambos.


Prometheus

David, o andróide da vez em Prometheus

E finalmente fui assistir Prometheus, de Ridley Scott. Ainda que o Universo inteiro já tenha falado sobre o filme, vou escrever umas poucas linhas sobre minhas impressões. Antes, tenho que confessar que no imediato momento que saí da sala de cinema pensava muito mais nos aspectos negativos do filme do que em suas qualidades. Não demorou muito para que eu concluísse que não havia gostado do filme. Mas quando você acorda no dia seguinte e a primeira coisa que vem na cabeça - antes mesmo do café da manhã ou ir ao banheiro - é alguma cena ou passagem do filme... bem, talvez eu não tenha gostado, mas meu inconsciente ficou bem impressionado. A verdade é que o filme está abaixo das espectativas daquilo que se espera de um Ridley Scott, mas é um colírio para quaisquer olhos cansados de ficções científicas vagabundas. Pela primeira vez na vida vi um filme cujo efeito em 3D atua como coadjuvante que ajuda a contar a história, e não como caça-níquel para comedores de pipoca (não assisti Avatar em 3D, antes que perguntem). Ótimas cenas de ação, tensão e bons personagens. Tá, não é a ficção científica definitiva e está bem longe dos Alien originais, mas é um belo filme em diversos aspectos. Assista sem medo de ser feliz.


Enquanto isso, na França...

Lina Romay na terra de Godard

E a Cinemateca Francesa, anos-luz à frente do resto da Humanidade, prestou uma homenagem à maior musa do cinema erótico mundial (de acordo com este blog, claro) Lina Romay, no último dia 6 de julho. Para quem não sabe, Lina faleceu no início do ano, vitimada por um câncer. Esposa do cineasta mais safo da História, Jess Franco, Lina Romay atuou em quase 120 filmes ao longo de 40 anos de carreira, na maioria sob a direção de seu marido. E para quem duvida que a imaculada Cinemateca Francesa pudesse cometer uma "blasfêmia" dessas, tá aqui a prova: http://www.cinematheque.fr/fr/dans-salles/rendez-vous-reguliers/fiche-manifestation/cinema-bis-hommage-lina-romay,14401.html

Confluências do Universo, Romay lá, Raffaeli Rossi aqui, quem sabe não estamos adentrando uma nova era onde o cinema pornô receberá a devida atenção ao ser encarado antes de tudo como cinema?



Escrito por Tauffenbach às 18h19
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   Homenagem a Carlos Reichenbach

O Comodoro na tela do Comodoro

Na próxima quarta, dia 4 de julho, a Sessão do Comodoro homenageará o seu criador e mentor, o cineasta Carlos Reichenbach, com uma de suas obras mais poéticas e pessoais: o clássico Alma Corsária.

Desde julho de 2004 Carlão apresentou a cinéfilos ávidos alguns dos filmes mais ousados, surpreendentes e inovadores já concebidos por algumas das mentes mais criativas do cinema. Foram exibidos 99 longas-metragens e outros muitos curtas, com o principal objetivo de resgatar a prospecção cinéfila típica das sessões malditas e underground dos cineclubes e salas especiais. Depois de nos deixar no último dia 14 de junho - mesma data que comemorava seu 67º aniversário - nosso eterno Comodoro será homenageado com a exibição de um de seus filmes mais pessoais na data do aniversário de 8 anos das Sessões do Comodoro. Alma Corsária será o 100º longa-metragem a ser projetado na tela do CineSESC ao longo desses fantásticos anos de duração do projeto.

No filme, os poetas Torres e Xavier organizam uma festa em uma pastelaria para o lançamento de seu último trabalho, o livro "Sentimento Ocidental". Para a festa são convidadas as mais diferentes pessoas, de parentes queridos a cafetões e prostitutas, incluindo um suicida salvo por Torres. Em meio às confraternizações, os poetas começam a rever o início da amizade entre eles. Um belíssimo exercício poético, poucas vezes visto no cinema nacional, Alma Corsária foi o grande vencedor do Festival de Brasília, levando os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Montagem.

O Comodoro convida todas as almas corsárias e olhos livres a prestar essa homenagem ao cineasta mais cinéfilo e generoso do Brasil, nesta histórica sessão de encerramento deste histórico projeto cinéfilo.

Como sempre, a Sessão do Comodoro acontece no CineSESC (Rua Augusta, 2075), e os ingressos gratuitos podem ser retirados a partir das 21h horas na bilheteria do cinema.

Um forte abraço a todos os leitores e frequentadores das sessões e esperamos todos lá!



Escrito por Tauffenbach às 12h15
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