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   Tomada dois

Rob Zombie's Dragula

Pode falar mal dos filmes dele (e em alguns casos eu até ajudo a detonar), mas este clipe é espetacular. Como já dizia minha avó: melhor fazer uma coisa pequena e bem feita que querer aparecer com uma coisa grande e ficar uma porcaria...



Escrito por Tauffenbach às 20h51
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   Acervo Demente

Yojimbo 2.0

 

Um homem chega a um local dominado por duas facções de malfeitores que disputam um suposto tesouro. Disposto a tirar vantagem daquela situação e favorecer os pobres habitantes que ainda restaram no local, o homem passa a trabalhar como guarda-costas de aluguel para ambas as gangues, jogando-as uma contra a outra. Você já viu esse filme, certo? Talvez, mas só se estivermos falando de Omega Doom – A Maldição, do diretor Albert Pyun.

Mas é a mesmíssima história que você já viu em Yojimbo, Por um Punhado de Dólares, O Matador, O Guerreiro e a Espada e, mais recentemente, Sukiyaki Western Django. Porém faz toda a diferença o fato de todos os personagens da história serem ciborgues remanescentes da última Guerra Mundial. O personagem principal, Omega Doom, é um andróide assassino programado para exterminar humanos, mas um pipoco na cachola o deixou ligeiramente avariado, e ele saiu vagando pelo mundo pós-hecatombe. Eis que ele chega a um local onde duas facções de ciborgues, os Droids e os Roms, disputam um suposto estoque de armas que estaria escondido e que poderia dar aos humanos sobreviventes a vantagem necessária para exterminar os robôs e retomar o controle do planeta.

Até agora este filme poderia ser um pastelão insuportável e esquecível, mas não é. Pyun tem a mão bem segura e sabe bem aonde quer chegar. Com certeza não é no primeiro lugar dos mais assistidos da Vanity Fair ou qualquer outra bobagem do gênero. É o bom e velho filme para os fãs, não para os críticos. Em primeiro lugar estamos falando de um filme com ciborgues, e os ciborgues de Pyun são únicos. Ele conseguiu criar uma mitologia própria, tal qual os vampiros de Jean Rollin ou as ninfomaníacas de Jess Franco. Um robô de Albert Pyun é sempre um robô de Albert Pyun, e não uma imitação de algum outro filme. Alguns elementos são recorrentes, como a iluminação nos olhos das criaturas robóticas e o clima desesperançoso que permeia seus filmes. Mesmo que a história sempre trate da luta do bem contra o mal, no fundo não dá pra ter muita fé em mundos devastados por guerras atômicas, lotados de robôs assassinos e vento radioativo. Outros elementos recorrentes são as colagens de referências e uso de imagens e efeitos sonoros de arquivos e até de outros filmes. Sempre achei que Pyun pudesse ser fã dos quadrinhos de Judge Dredd, mas a certeza só veio quando assisti A Exterminadora, onde o vilão interpretado por Lance Henriksen aparece com um braço mecânico idêntico ao do personagem Mean Machine, inimigo de Dredd. E neste mesmo filme, Pyun não faz muita questão de esconder a utilização de sons do filme Robocop em todos os seus ciborgues.

No alto, Lance Henriksen interpreta o vilão Job, em A Exterminadora. Abaixo, o inimigo de Judge Dredd, Mean Machine. São os meus olhos, ou ambos têm um problema no braço?

No final das contas, “é um bom filme?”, perguntam alguns leitores do Cine Demência. Claro que é! Desde que você goste de filmes pós-apocalipticos, robôs e de Rutger Hauer. Caso contrário, existe uma grande probabilidade de se ficar revoltado com a história pouco original, falta de recursos, clichês e blá, blá, blá. Aqui neste blog nós adoramos filmes pós-apocalipticos, robôs e Rutger Hauer, e por isso Omega Doom – A Maldição leva nota 2,5 de 5. E o imbecil que colocou o subtítulo de “A Maldição” na tradução do título para o português leva nota 0. Não tem maldição nenhuma no filme. São ciborgues, e não magos, goddamnit!

E já que estamos falando de Albert Pyun, não podemos deixar de falar do blog Radioactive Dreams, editado pelos blogueiros mais maníacos por Pyun na face da Terra: Ronald Perrone e Osvaldo Neto. Aliás, é bem provável que nem mesmo o próprio Pyun saiba tanta coisa a respeito de seus filmes quanto essas duas autoridades. Quer aprender mais sobre o cara? Esse é o blog que você estava procurando. E o próprio Ronald já escreveu sobre Omega Doom no seu blog Dementia 13. Confira.

Ah, sim! Omega Doom foi lançado em DVD no Brasil em uma edição que também traz o filme Fúria Cega, de Phillip Noyce, também com Rutger Hauer revendo outro personagem do cinema nipônico: Zatoichi.

E por último, mas não menos importante, aproveite para instruir-se sobre o fantástico subgênero pós-apocaliptico neste ótimo site britânico: http://www.post-apocalypse.co.uk/



Escrito por Tauffenbach às 16h00
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