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Com quantos paus se faz uma canoa?

E ninguém melhor que o nosso querido Roger Corman para falar uma coisa dessas. Muito antes da “onda verde” invadir os lares e corações da classe média, Corman já utilizava todos os recursos da nobre arte da reciclagem a serviço do cinema. E não estamos falando somente de reaproveitamento de materiais, mas de idéias também.

Certa vez Roger Corman declarou em uma entrevista que ficou extremamente chocado com Tubarão, de Spielberg, porque era exatamente o tipo de filme que ele fazia, só que com mais dinheiro. Quando Star Wars foi lançado ele disse “estamos perdidos”. A partir daí a ordem era aumentar o orçamento de todas as produções para ao menos tentar se equiparar à obra de George Lucas, do contrário ninguém mais assistiria seus filmes. Para o bem ou para o mal, Lucas tornou o público consumidor de filmes “B” bem mais exigente. De fato, Corman não só aumentou o orçamento de suas produções (onde antes se gastava 100 passaram a gastar 102, ou algo na mesma proporção) como entrou de cabeça na onda do espaço. Star Wars foi uma potente fonte de inspiração, mas não foi a única. Quando Alien foi lançado era mais uma semente a germinar no fabuloso jardim de idéias de Corman.

Cine Demência resolveu aproveitar o relançamento dos filmes de Corman em belas edições em DVD e Blu-ray e fazer uma verdadeira lavagem cerebral com alguns filmes do mestre, em especial aqueles que, hã... homenageiam outros, na esperança de tentar compreender as fórmulas para a criação de obras tão memoráveis.

Starcrash (Star Wars + Barbarella) – 1978


Ainda que Corman só tenha distribuído o filme, isso não o isenta de culpa alguma. Dirigido pelo maestro italiano Luigi Cozzi, o filme é um pastiche inacreditável, misturando em um único filme todos os clichês possíveis da ficção científica, vigentes desde Viagem à Lua de Méliès. Assistir Starcrash é como ver todos os seis filmes da saga de Star Wars espremidos em 1h30. Na história, a heroína/contrabandista Stella Star deve salvar o filho perdido de um imperador e matar um conde do mal, interpretado de maneira magnífica por Joe Spinell. Até lá, ela e seu companheiro passam por diversos planetas, enfrentando diversos perigos em meio a diversos clichês e efeitos especiais datados. Cuidado! O filme tem o estranho poder de fazer com que o espectador não consiga parar de assisti-lo!

Deathsport (Conan + Mad Max + Corrida da Morte 2000) – 1978

David Carradine é o herói desta trama fantástica que consegue reciclar até mesmo um filme de Corman. É uma “übber-homenagem”! Ralizado cinco anos depois de Corrida da Morte 2000, esse filme chegou a levar o título de Death Race 2050 na Alemanha. Algumas das matte-paintings de Corrida da Morte são reutilizadas aqui. E quando digo que Carradine é o herói, não é só porque ele é o personagem principal, mas também porque ele tem que se sujeitar a andar o filme todo com uma mísera tanga de pele e uma espada gigante de acrílico. Poucos atores seriam tão bravos.
 
Mercenários das Galáxias (Star Wars + Sete Homens e um Destino) – 1980


Um jovem sai em busca de ajuda para livrar seu planeta de terríveis invasores. Para isso acaba recrutando uma verdadeira fauna de criaturas espaciais. Inacreditavelmente o roteiro consegue equilibrar muito bem elementos de Star Wars e Sete Homens e um Destino. Ao lado de Starcrash, talvez seja a produção mais “B” desta lista, repleto de clichês e visual de histórias em quadrinhos dos anos 50. Confesso que era um dos meus filmes de infância favoritos, mas me pareceu ligeiramente bobo após uma revisão depois dos meus 30 e poucos anos. Ainda assim, um clássico que deve ser visto.

Galáxia do Terror (Alien + Jornada nas Estrelas) – 1981


Uma equipe é enviada a um planeta distante para descobrir o que aconteceu com a equipe que estava lá antes, e acabam descobrindo, para infelicidade geral, que algo misterioso está caçando qualquer coisa que ande por ali. Como um dos membros da própria equipe de Corman admite, todo o cenário do planeta foi inspirado em Alien. Curiosamente, Corman acaba utilizando uma pirâmide como centro nervoso do planeta, idéia que fora concebida por Giger para Alien e posteriormente abandonada. A grande diferença é que no lugar de um único monstro o roteiro resolve caminhar por uma trilha metafísica, dando a cada um dos participantes o seu monstro particular. Aliás é impossível não notar certas semelhanças também com Alien – O Resgate, que seria feito cinco anos depois pelo mesmo James Cameron que assina os efeitos especiais e a segunda unidade nesta produção.

Forbidden World (Alien) – 1982


Imagine Alien sem sutileza alguma, ou seja, adicione sexo e violência explícita. Pronto! Forbidden World é exatamente isso. Tudo o que Corman achou que faltava em Alien ele colocou aqui. Nada de macacões de caminhoneiros. As mulheres aqui andam de roupa apertadíssima e salto alto. Isso quando não resolvem pegar uma sauna (disponível da basa espacial deles) sem roupa alguma. E nada de não mostrar o monstro. Na hora que ele aparece é pra valer, o que acaba deixando o espectador com aquela dúvida de se não seria melhor não ter mostrado...



Escrito por Tauffenbach às 18h06
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Happy Halloween!

O editor deste blog comemora seu 34º Dia das Bruxas e seu 34º ano nesta dimensão. Muitos parabéns e um grande camarão na moranga pra ele! (Afinal,estamos no Brasil...)



Escrito por Tauffenbach às 05h01
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