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Apocalipse Cronenberg

Ontem assisti Cosmópolis, último filme de David Cronenberg, em uma sessão no Cine Bristol, aqui em São Paulo. Sendo fã quase incondicional de Cronenberg ("quase" por causa de Fast Company e M. Butterfly, seus dois únicos escorregões), as expectativas eram naturalmente altas. E tenho que admitir que eram mais altas ainda pela possibilidade de Cronenberg retornar ao seu cinema marca registrada, aquele de seres humanos que fogem do humano para se tornarem seres ainda indefinidos. O filme não era o que eu imaginava que seria, mas me deixou mais atordoado do que eu esperava. Ainda bem!

Uma das razões para tal sensação é a indescritível simplicidade do filme. Ainda que seja um filme com muitos diálogos, tentar traduzi-lo em palavras pode gerar um efeito colateral que é o de deturpar a obra. Ao menos para mim, até agora não consegui escolher as palavras mais apropriadas para descrevê-lo. Sim, é uma crítica ácida e feroz ao capitalismo, mas também é uma ficção científica apocalíptica, e também um filme que volta a dialogar com os trabalhos viscerais anteriores de Cronenberg. A única palavra que encontrei até agora para definir o filme é "indigesto". Como todo bom Cronenberg deveria ser.

Hoje, em busca de palavras que pudessem me ajudar a escrever sobre o filme, visitei o blog do Inácio Araújo. E qual não foi a minha surpresa ao ver que este crítico que tanto admiro justamente por seu talento em transformar cinema em palavras simplesmente declarou que "a distância entre Cosmópolis e o que a gente tem visto ultimamente é tão acentuada que não me dá nem vontade de escrever a respeito". E realmente. Quem sabe seja melhor não falar muito sobre o filme mesmo. Talvez palavras não caibam para descrever essa experiência cinematográfica. Mas Inácio também fala sobre Cronenberg voltando a ser Cronenberg. Não há como não lembrar de Videodrome, Crash, eXistenZ e até Calafrios. Mas não é só isso. Talvez eu tenha enlouquecido de vez, mas também me lembrei de O Homem que Caiu na Terra e Independence Day. Assim mesmo, os dois misturados. Imaginem um personagem alienígena, meio que deslocado e alheio ao mundo das massas. O mundo dos "normais". E ao mesmo tempo esse alienígena também é um predador desse mesmo mundo. É possível isso?

E isso é o máximo que consegui chegar. Acabaram as palavras. Mas posso dizer, sem dúvida, que este é o filme mais difícil de Cronenberg. Faz sentido: nosso mundo está mais difícil. Já passamos por Calafrios, Videodrome, Crash e eXistenZ. Hoje a realidade representada nesses filmes é notícia de rodapé nos nossos jornais.

E no final o leitor me pergunta: "mas o filme é bom, afinal?" Não... é excelente. Uma daquelas coisas que vai deixar seu cérebro no cantinho, meio que de castigo, repensando a vida. Vejam com urgência.

Um P.S.: a sessão do Cine Bristol mostrava claramente que o projetor não estava em sua melhor forma. A luminosidade do filme oscilava regularmente e a legenda apresentava um brilho distorcido que expandia para o filme. Por isso mesmo não faço a menor ideia se as cores que eu vi são as cores reais do filme como deveria ser. De qualquer maneira esse "incidente" imprimiu uma textura interessante que dialogava com o filme.



Escrito por Tauffenbach às 19h29
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