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O verdadeiro Rei do Horror

Assim mesmo, com letras maiúsculas, como um segundo nome. John Carpenter é sem dúvida alguma um dos diretores fantásticos mais emblemáticos das últimas 3 décadas. Com erros e acertos, construiu uma filmografia única e memorável. E quem aqui dirá que não?

No ano passado o Festival do Rio trouxe o maestro italiano do horror Dario Argento. Este ano foi a vez de Carpenter com uma retrospectiva que, embora não contemple toda sua filmografia, já entrou para a História. E o CineSESC, em parceria com o Festival, trouxe esta espetacular programação para São Paulo, que começou ontem, dia 5 de outubro, e vai até o dia 14. Confira a programação completa no Guia da Semana.

Carpenter começa sua carreira de diretor com curtas de ficção científica ainda nos anos 60. Faz sentido que seu primeiro longa, Dark Star, de 1974, seja também uma ficção científica, porém carregada de humor negro e sem se levar a sério. Por acaso Dark Star é o começo de carreira de outro ilustre: Dan O'Bannon, roteirista de Alien e muitos outros filmes. Em 1976 Carpenter faz Assalto ao 13º DP, um filme que já demonstra traços típicos da personalidade fílmica do diretor. Aqui, uma delegacia prestes a ser desativada é cercada por bandidos que querem a cabeça de um prisioneiro. A história parte daquele clichê onde um grupo de pessoas encontra-se isolado e ameaçado por algum elemento externo. Poderiam ser fantasmas, lobos, zumbis. Mas Carpenter preferiu colocar uma gangue de latinos. E acertou em cheio.

E finalmente, em 1978, Carpenter redefiniu paradigmas do cinema de horror com Halloween. O filme, que dispensa comentários, inspirou inúmeros outros filmes e rendeu mais 5 continuações e duas refilmagens pelas mãos de Rob Zombie (desnecessárias, diga-se de passagem). A revisão do filme na retrospectiva reforça a genialidade de Carpenter, que consegue fazer qualquer um acabar com as unhas com um filme relativamente simples, com poucos personagens e ambientes (toda a história se passa em um quarteirão de uma pequena cidade, praticamente entre duas casas).

Mas vamos direto ao que interessa. Para o editor deste blog, Carpenter produziu duas obras-primas incontestáveis, autênticos ícones do cinema fantástico; filmes que merecem estudos profundos da parte de qualquer pessoa que se interesse minimamente por cinema de gênero: Enigma de Outro Mundo e Fuga de Nova York. Ambos estrelados pelo alter-ego de Carpenter, Kurt Russel.

Enigma de Outro Mundo é mais uma versão que uma refilmagem de O Monstro do Ártico, de 1951. E com todo respeito a um clássico de ficção científica dos anos 50, a versão de Carpenter é insuperavelmente superior, se é que cabe aqui comparar os dois filmes. Perdi a conta de quantas vezes assisti esse filme na TV, todas as vezes com a mesma ansiedade. Cada revisão o filme se mostrava tão eficiente em provocar pavor quanto da primeira vez. Como promete a chamada no cartaz, o filme é "o máximo em terror alienígena". Talvez não supere Alien nesse sentido, mas seguramente não está abaixo em nada. Muito da fórmula de sucesso - e de sustos - está nos efeitos especiais inacreditáveis, grotescos e apavorantes de Rob Bottin. Só quem assistiu sabe que ainda está para nascer um efeito em CG que supere o trabalho desenvolvido nesse filme. E claro, temos a cafajestice habitual de Kurt Russel, uma atração à parte.

Fuga de Nova York também é outro que foi incansavelmente visto na televisão. Passado no futuro ano de 1997, Kurt Russel interpreta Snake Plissken - ou Cobra Plissken na versão dublada -, um presidiário que recebe a missão de resgatar o presidene dos EUA, cujo avião caiu em Manhattan, agora transformada em uma prisão de segurança máxima. Um filme sujo que além de apresentar Kurt Russel de mullets e tapa-olho, ainda conta com um elenco de peso com Lee Van Cleef, Ernest Borgnine, Isaac Hayes, Donald Pleasence e Harry Dean Stanton. Não tem como uma combinação dessas dar errado. O filme teve uma continuação inferior em 1994 chamada Fuga de los Angeles, também dirigida por Carpenter e com Russel novamente no papel principal.

Aos cinéfilos de São Paulo e do Rio, essa retrospectiva é mais que obrigatória. É uma oportunidade de conhecer e rever um dos autores mais importantes do cinema fantástico, referência de gerações passadas e, assim espero, futuras gerações de cinéfilos e cineastas.

Um pequeno PS: a franquia Halloween tem 7 filmes. Ao falar das continuações desconsiderei o terceiro capítulo que não tem absolutamente nenhuma conexão com o filme de Carpenter e suas sequências, ainda que mesmo assim seja um ótimo filme.

A diversão do final de semana está garantida. Obrigado, tio Carpenter!

 

ATUALIZAÇÃO 07/10:

De volta após a sessão de Enigma de Outro Mundo, confirma-se a impressão de sexta-feira, após a sessão de Halloween (e confirmando o óbvio): não importa quantas vezes os filmes tenham sido vistos, todos mudam na tela grande. São outros filmes, com dimensões e tempos diferentes. Tudo se torna grandioso, dos cenários e atuações até mesmo a trilha sonora. Ainda que estejamos vivendo na Era Torrent, o cinema como experiência continua insubstituível. Perdi as contas de quantas vezes assisti Enigma de Outro Mundo na tela da TV, mas isso não impediu que eu tivesse a sensação constante de estar diante de algo novo, mesmo já sabendo exatamente o que aconteceria a seguir.



Escrito por Tauffenbach às 19h34
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