Primeiramente quero pedir desculpas aos leitores do Cine Demência pela ausência de postagens e pela irregularidade. Para quem não sabe, o editor deste blog, entre outras coisas, é artista plástico (não, não tenho formação “oficial” em cinema) e resolveu se atirar de cabeça no mundo acadêmico entregando-se a um programa de mestrado. Claro que dois anos e meio são mais que suficientes para se elaborar e redigir uma dissertação. Mas também é claro que sendo eu humano e brasileiro tenho uma pré-disposição genética a deixar coisas essenciais para a última hora. E assim, com a data da defesa se aproximando, tive que abandonar diversas atividades para me dedicar única e exclusivamente a tudo aquilo que se relacionasse ao meu mestrado. Como Deus, assim como eu, também é brasileiro, no final tudo deu certo. Desde o dia 17 de novembro passado, este que vos fala ostenta o título de Mestre. Fiquei tão entusiasmado que fui pedir à banca para colocarem “Mestre Jedi” no meu diploma, mas parece que será “Mestre em Artes Visuais” mesmo...
Anyway!!! Back to business! Final do CineFantasy! Como o Cine Demência havia dito, os espanhóis acabaram faturando vários prêmios. Ainda que no geral a qualidade dos curtas beirasse o ótimo, os espanhóis frequentemente ganhavam um “excelente” de minha parte.
E não vamos esquecer de Colin, o filme sensação realizado com troco de padaria que teve uma sessão especial na sexta, dia 13, com a presença do diretor Marc Price. O editor deste blog não só teve o prazer de conhecê-lo como sentou-se ao seu lado para mediar um “Q&A” com o público. Não vou dizer o quanto o papo foi agradável e revelador, mas digo aos leitores que eles DEVEM assistir Colin com a máxima urgência. Não só por ser um dos filmes de zumbis mais legais dos últimos tempos, mas para ver que falta de dinheiro não é desculpa para não fazer um filme extremamente criativo. E a noite ainda ficou melhor quando saímos para jantar e pude conhecer pessoalmente meu amigo furioso Ronald Perrone, editor do Dementia 13 (um cara infinitamente mais legal do que eu já imaginava que fosse) e conversar com Marc despreocupadamente sobre cinema. Ah! E o nome do cara é, na verdade, Marc Vincent Price e ele acha que Assalto ao 13º DP é um dos melhores filmes de zumbis já feitos, mesmo não tendo nenhum zumbi. Só podia ser um cara legal mesmo!
Ronald Perrone, Marc Price e o editor deste blog, depois de comer muito e falar muito sobre cinema.
E um PS.: pouca gente sabe, mas de vez em quando eu me jogo de cabeça em algumas séries de TV. Sou fã confesso de 24 Horas, Dexter e Lost. Adorei Família Soprano e Prision Break. Agora estou conhecendo o mundo de House. Ainda estou na primeira temporada, mas Gregory House corre o risco de ser um dos personagens televisivos mais geniais desde o J.R. de Dallas.
Começa hoje o 4º CineFantasy - Festival Curta Fantástico, que vai até o dia 15 com uma programação de babar. São mostras competitivas e especiais para agradar todo o bom cinéfilo. E adivinhem? É de graça!!! Você não paga nada por isso (na verdade quase de graça, porque as sessões do Cine Olido custam R$1, o que é o mesmo que de graça).
Dos destaques, talvez o maior de todos seja o curioso "Colin", longa britânico de zumbis que custou míseros 78 dólares, segundo seu diretor, Marc Price. "Mas que mentira", diriam alguns. "Ninguém faz um filme com 78 dólares!" Pois bem... os descrentes terão a oportunidade de perguntar isso diretamente ao diretor, que estará presente na sessão de exibição de seu filme. O Cine Demência estará lá pra conferir.
E falando em presença, o Cine Demência também estará nas sessões reservadas às filmografias de dois dos maiores ícones do cinema verde-amarelo: Fauzi Mansur e Ivan Cardoso. No caso do primeiro, não há um só destaque: tem que ver todos os filmes. E Ivan Cardoso também estará presente em uma das sessões. Aliás, aproveitem para assistir o muito falado, mas ouco visto "Um Lobisomem na Amazônia", protagonizado por ninguém menos que Paul Naschy, "El Hombre-Lobo" por excelência! E não vamos nos esquecer do "Gore Day", com uma programação especial escolhida a dedo por Marcelo Carrard, nosso amigão de trincheira cinéfila e editor do blog Mondo Paura.
E o Cine Demência teve acesso exclusivo a alguns dos curtas do festival, e das competitivas de hoje destaca "Zombies and Cigarettes", sobre zumbis espanhóis em um shopping, "Die Schneider Krankheit" sobre um acidente bizarro em uma cidadezinha alemã envolvendo um macaco astronauta e "DVD", uma história de amor sob a perspectiva de um cinéfilo. Aliás, não querendo palpitar, mas já fazendo-o, arrisco dizer que o grande prêmio deve ir para a Espanha. Não sei não, mas esses espanhóis estão detonando...
Toda a programação pode ser vista no site. Então pode ir até lá e armar o seu roteiro.
Nos vemos lá!
SERVIÇO
O quê: 4º CineFantasy - Mostra Curta Fantástico
Quando: de hoje, 6 a 15 de novembro
Onde: Cine Olido, Centro Cultural Banco do Brasil e Biblioteca Viriato Corrêa
Campeão invicto do kumite, Chong Li joga em um nível abaixo do que chamaríamos de sujo. Oponente cruel, mata seus adversários com requintes de sadismo e sem o menor traço de consciência ou culpa. Abusa de recursos de intimidação psicológica, como as suas caras feias, sinais ameaçadores e mamilos ofensivamente pulsantes.
Como termina: Sua queda acontece por pura burrada, ao confiar demais em um recurso medíocre de cegar o adversário com um pó misterioso e aparentemente não tão eficiente assim.
O que deveria ter feito: Usado vidro moído e esfregado bem no olho do Van Damme até sangrar. Depois disso, espancá-lo na cara até ganhar a luta.
Depois de um longo e tenebroso inverno (entenda-se uma virose sobrenatural que me deixou duas semanas de cama e sem ânimo para nada), retorno à blogosfera. E que faça-se constar que o retorno poderia ser mais rápido se não fossem as manutenções na internet em meu bairro e os gremlins que cada dia atacavam algum dispositivo diferente do meu computador. De qualquer maneira, descobri que duas semanas de cama também têm as suas vantagens. Uma delas é assistir um porrilhão de filmes, mesmo com a cuca cheia de antiestamínicos. Afinal, uma vez cinéfilo, sempre cinéfilo... na saúde ou na doença!
Dobradinha Guy Ritchie
Estava devendo essa: Revolver (2005) e RocknRolla (2008) ainda estavam na minha lista de obrigações. RocknRolla até que se aproxima bem de uma obra do diretor de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch, mesmo que não seja nenhum dos dois. Talvez um pouco menor, uma vez que o caráter de "novidade" desapareceu, mas ainda assim um filme muito divertido. Revolver é o grande mistério. Talvez Ritchie quisesse superar a si mesmo e realizar algo que fosse além de seus limites. No passado ele tentara isso com sua ex e foi um fiasco. Pra falar a verdade, até agora não sei se gostei ou não de Revolver, mas a cada dia que passa tenho mais vontade de revê-lo para dar um veredito. O tempo dirá.
Gomorra (2008)
Mais um da lista de obrigações. Não há o que dizer. É um Poderoso Chefão versão italiana e contemporânea. Antes de ser um policial, é um drama miserável. Ame-o ou deixe-o. Eu gostei.
O Quinteto da Morte (The Ladykillers, 1955)
Mesmo sendo fã dos irmãos Cohen, sou obrigado a adimitir, principalmente agora, que Matadores de Velhinhas talvez seja o pior filme de suas carreiras. O que passou na cabeça deles ao achar que poderiam substituir Alec Guiness por Tom Hanks e Katie Johnson por Irma P. Hall? Crianças, recusem imitações e corram agora mesmo atrás do original que, com mais de 50 anos nas costas, dá de dez a zero na tola refilmagem dos irmãos.
Pânico e Morte na Cidade (The Night Stalker, 1972)
Belíssima surpresa sobre um repórter que investiga uma série de assassinatos brutais que apontam para um assassino que só pode ser... um vampiro! O filme fez um relativo sucesso na época que o levou a uma continuação (A Noite do Estrangulador de 1973) e uma série para TV (exibida por aqui nos anos 70 como Kolchak e Os Demônios da Noite) que alguns dizem ter sido a fonte de inspiração para Chris Carter criar Arquivo X. Mas o que importa de verdade é que o filme, aparentemente despretensioso, vai elevando nível de suspense nesta ótima mistura de policial, comédia e terror. Recomendadíssimo!
Alien - O Monstro Assassino (Alien Contamination, 1981)
Ah! Como eu amo o cinema italiano! Principalmente as suas picaretagens baseadas em grandes sucessos de bilheteria americanos. Como é o caso desta obra de arte de Luigi Cozzi, inspirada em Alien, mas transformada em algo "semelhante a James Bond" por insitência de seu produtor. De qualquer maneira, a parte legal é que Cozzi realmente resolve dar continuidade à idéia de Alien trazendo os ovos para a Terra. Curoso notar que o filme possui o mesmo ritmo dos filmes italianos de zumbis.
O Quarteto Fantástico (The Fantastic Four, 1994)
Adivinhem?! Mesmo sendo uma bomba, esta primeira tentativa de adaptação para os cinemas do Quarteto é infinitamente superior àquela lançada em 2005! E por que seria? Porque não é pretensiosa!!!Pode ser boba, amadora em diversos aspectos e os efeitos especiais... bem, são efeitos especiais de 1994. Mas o filme é honesto! Palavra esta que não faz mais o menor sentido na cabeça de certos cineastas...
Psicomagia
Isto não é um filme, mas um livro escrito por Alejandro Jodorowsky! Ainda que a versão da Editora Devir seja de um amadorismo assustador (são erros de português, de editoração e de diagramação de arrepiar), isso não me impediu de mergulhar de cabeça nas idéias do mago e devorar suas quase 300 páginas em dois dias. Na verdade, não vou convencer ninguém a lê-lo. Só digo que se o mundo inteiro resolvesse ler o livro (e exercitar o seu conteúdo), este planeta seria o melhor lugar do universo para se viver.
Este mês, por ocasião da 4ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul não teremos a Sessão do Comodoro neste dia 7 de outubro. Mas aguardem as próximas sessões com "Confissões de um Comissário de Polícia ao Procurador Geral da República" de Damiano Damiani e "Anthropophagus" de Joe D'Amato!
Em outubro e novembro o Dia da Fúria apresenta a eletrizante filmografia de John Woo. Nem é preciso dizer que está imperdível...
Do mesmo diretor do já clássico “A História de Ricky”, surge esta salada demente que dá novo sentido à palavra absurdo. Imagine uma mistura de “Indiana Jones no Templo da Perdição” com “A História de Ricky” (claro). Basicamente temos um policial em uma expedição na Tailândia (?) que acaba salvando uma nativa de um sacrifício ao ancestral da aldeia, um esqueleto que retorna à vida de tempos em tempos só para bater um rango de carne humana. O sacerdote da tribo fica revoltado com tamanha ousadia que resolve amaldiçoar o cara. Depois de dois anos, sete chagas apareceriam em seu corpo, e com a sétima ele morreria. Para escapar da maldição, ele tem que retornar à selva e ingerir uma jóia que se oculta nos olhos de uma estátua de Buda. Claro que não será fácil, pois o tal sacerdote – uma criatura que parece saída de uma banda de metal farofa dos anos 80, com direito a pintura facial, cabelos compridos e uma vozinha ridiculamente fina que não impõe o menor respeito – fará de tudo para impedi-lo, inclusive enviar um pequeno demônio que ele guarda na cueca (brincadeira, ele não guarda na cueca... mas parece!), feito com o sangue de crianças esmagadas em um juicer primitivo. E como se não bastasse temos Chow Yun Fat fazendo o papel de um experiente professor que só aparece para salvar o dia.
Quem assistiu “Ricky” nunca mais esqueceu. A combinação única de ação, gore e comédia elevou o gênero das artes marciais a outro patamar. Aqui, mesmo tratando de um trabalho anterior, não fica devendo em nada a seu famoso sucessor. As cenas de ação são até superiores as de "Ricky" (até porque o roteiro de "Ricky" não permitia tantas explosões e figurantes como neste filme). Corra atrás desta pérola imediatamente e chame os amigos para uma hora e meia de mais puro delírio.
PS.: Na ficha do IMDb o filme apresenta duas durações diferentes: 78 minutos e 81 minutos, sendo esta creditada ao seu lançamento no Brasil! Algum colega sabe informar se, de fato, esta obra de arte já chegou a colocar os pés em terras tupiniquins? Enquanto procuram a resposta, deleitem-se com o trailer:
Top Tops intergaláctico! Da mesma forma que “Jornada nas Estrelas” e “Star Wars” popularizaram a ficção científica, permitindo que outros filmes excelentes pudessem ser realizados, eles também foram culpados pela proliferação de tranqueiras astronômicas. Afinal, se a fórmula de maquetes e maquiagem sobre fundo negro com estrelinhas rendeu milhões a George Lucas, por que não daria certo com outros diretores? Bem... para alguns deu certo. Já outros... Mas no final, o que importa mesmo é que nós, o público, saímos lucrando com algumas das obras mais divertidas e insanas dos anais da ficção científica. E do meu diário estelar saquei cinco gemas que não devem faltar na coleção de nenhum cinéfilo demente:
Dark Star (1974 – Dir.: John Carpenter) Primeiro longa de Carpenter, com a contribuição de Dan O’Bannon no roteiro. A hstória é muito simples: quatro caminhoneiros espaciais vagam pelo universo abrindo caminho e explorando mundos possíveis à colonização espacial. Tudo o que você viu em “Alien” foi germinado aqui. O computador, o clima claustrofóbico da nave e até o monstro! Claro que não é o fantástico monstro criado por Giger, mas uma ridícula bola de praia inflável com algumas manchas aerografadas por cima. E os olhos mais atentos também enxergarão alguns esboços estruturais que serviriam muito bem para Carpenter em alguns de seus filmes seguintes, como “Assalto ao 13º DP” e “Enigma de Outro Mundo”.
Mercenários das Galáxias (1980 – Dir.: Jimmy T. Murakami) Clássico absoluto com o selo Roger Corman de qualidade. Ao contrário de seus equivalentes, “Mercenários” não trata de uma cópia de “Star Wars”, mas de “Sete Homens e um Destino”. Troque os bandoleiros por uma raça alienígena malvada, o pueblo pelo planeta Akir (sim, de Akira Kurosawa) e os sete homens em questão por heróis das mais diversas raças alienígenas para desfilar o talento da equipe de maquiagem. Não se esqueça de adicionar John Saxon e pronto. Temos um vencedor!
Laserblast (1978 – Dir.: Michael Rae) Este não se passa no espaço, mas tem uma conexão obsessiva e estranhíssima com Star Wars. No filme, uma treta entre alienígenas de stop-motion e outro com uma maquiagem péssima deixa um canhão laser mortal largado no deserto. Um adolescente caipira, ridicularizado pela cidade inteira, acaba encontrando a tal arma e, possuído pela estranha força de um colar, acaba detonando todo mundo que um dia tirou uma com a cara dele. E não é que o tal caipira é a cara do Mark Hamill? Fora isso, o diretor não perde a oportunidade de fazer uma piadinha maldosa no meio do filme e mostrar o adolescente possuído explodindo gratuitamente um outdoor com a propaganda de Star Wars. Meu palpite: o cara chamou Mark Hamill para fazer o filme, que deu risada e bateu o telefone na cara dele. Ofendido, mas não derrotado, o diretor quis dar uma lição poética ao pobre Skywalker. Hoje em dia o filme está entre os 100 piores do IMDb.
Galáxia do Terror (1981 – Dir.: Bruce D. Clark) “Galáxia do Terror” já foi apresentado neste blog como um filme ruim. Mas uma discussão com o nobre colega Leandro Caraça e algumas revisões do filme me fizeram reconhecer que ele realmente tem seu valor. Apesar dos defeitos, “Galáxia do Terror” consegue sustentar o clima de suspense e de ficção dos anos 80. Hoje em dia, retiro tudo o que disse que pudesse manchar a reputação do filme. É diversão garantida!
The Man Who Saves The World (1982 – Dir.: Çetin Inanç) É Star Wars, mas é na Turquia! Imagine se o filme fosse quase todo passado em Tatooine. Pois é isso que essa insana versão turca propôs (intencionalmente ou não). Afinal, deserto é o que não falta para os lados de lá do globo, além de ser grátis! Algumas cenas são diretamente tiradas de “Star Wars”, com direito a Tie Fighters, X-Wings e alienígenas da cantina. Não é só uma ficção vagabunda. É uma verdadeira obra de arte. Aliás, parece que o diretor pegou gosto pelos rip-offs, porque ele dirigiu depois uma versão de “Tubarão” e o clássico “Korkuzus”, uma versão inacreditável de “Rambo”. Artigo de luxo para cinéfilos de fino trato. E se não acredita que alguém possa ter ido tão longe, confira o clip abaixo:
Fato: Lars Von Trier conseguiu fazer um dos filmes mais importantes da história.
Confesso que já há alguns dias desde que assisti “Anticristo” de Lars Von Trier, mas só agora consegui arrumar as idéias de maneira clara para dividi-las com os caros leitores do Cine Demência. Mas idéias mais claras não significam que o filme ficou mais simples de ser comentado e criticado. Na verdade, só consegui evitar as armadilhas do impulso da primeira redação e escrever com muito mais cuidado. Cuidado extremamente necessário neste caso...
“Anticristo” é um filme extremamente simples e complexo ao mesmo tempo. É um conto sobre a natureza das coisas. Ou pelo menos um lado da natureza. A parte complexa reside na maneira com Trier transforma isso em experiência cinemática. Vale dizer que trata-se do trabalho mais refinado de Trier até agora. Longe da estética crua do Dogma, o filme possui uma fotografia deslumbrante, enquadramentos e cortes precisos. Muito graças à habilidade do diretor em manipular recursos digitais, perfeitamente inseridos no filme. Deveria ser referência obrigatória aos americanos esquizofrênicos e preguiçosos, viciados em CGI.
Neste universo, tudo é dual. O casal em crise pela morte do filho vai à floresta na esperança de tirar a mulher da depressão. Enquanto Charlotte Gainsbourg se entrega ao emocional, Willem Dafoe é a parte racional que tenta ajudá-la. Ela é física, ele é mental; ação e reflexão; positivo e negativo. Mas não é tão simples assim. Logo em seguida outros aspectos surgem: paz e violência, bem e mal, vida e morte.
“Anticristo” não aparece referenciando o personagem bíblico, no sentido católico da coisa, mas àquilo que se opõe a tudo o que a sociedade cristianizada e doutrinada tem como ideal e que, feliz ou infelizmente, existe como força de equilíbrio. A floresta, cenário e personagem do filme, não tem nada de misterioso, mágico e belo como nos contos de fadas. O filme mostra um lado duro e cruel que fazemos questão de ignorar, mas que é necessário para a manutenção da própria existência. Afinal, o que seria de Branca de Neve sem a Madrasta Má? Provavelmente uma historinha qualquer, desmerecedora de registro como tantas outras.
Não quero parecer presunçoso ou arrogante, mas é necessário ter nível intelectual e emocional elevados para apreciar “Anticristo”, o que a maioria das pessoas infelizmente não possui. É um filme inteligente feito para pessoas inteligentes. Da mesma forma que Borges, Saramago e Cortázar também não podem ser considerados como literatura para as massas alienadas. É preciso inteligência para identificar símbolos, compreender a profundidade dos personagens por baixo da superfície simples e compreender que as poucas cenas de sexo explícito não têm nada de gratuito.
Para não gostar de “Anticristo”, a pessoa deve ter um repertório até superior ao daqueles capazes de admirar esta obra. E é aí mesmo que podemos notar qual o nível intelectual de certos críticos que malharam o filme de uma maneira tão infantil que chega a dar pena.
E eu falei, falei e não disse nada, certo? Longe do clichê, a verdade é que palavras são pobres para descrever o filme de Lars Von Trier. Então vá e assista ao filme. Não é só uma recomendação. E tão obrigação quanto assistir a um filme de Lynch ou Kubrick. Como o caso das obras destes cineastas, “Anticristo” foi além do filme para virar lenda, e Lars Von Trier é um dos maiores diretores da história.
Dois filmes disputavam a tapa o título de filme do mês no Cine Demência. O primeiro era “Cellat”, remake turco de “Desejo de Matar”. Mas em tempos de novelas à bollywood, nada mais justo e recompensador do que voltar à fonte de todo o mal. Todo o mal, eu disse? Bem, não estamos falando só de um típico filme indiano, com todos os figurinos adorados pelos hippies, duração excessiva e números de música e dança. Estamos falando de um legítimo filme de terror Made in Índia!
Produzido e dirigido pelos famigerados irmãos Ramsey em 1990, “Bandh Darwaza” conta basicamente a história de Drácula e um pouco mais. Tudo começa com uma infeliz que não consegue ter filhos. Desesperada por um rebento (como se na Índia fosse difícil achar uma criança para adoção), ela vai até um culto doido na Montanha Negra, cujos integrantes parecem ter saído de um daqueles joguinhos de artes marciais do Super Nintendo ou do Master System. Conseguir engravidar era batata para o vampiro adorado no culto, mas havia uma pequena taxa de conveniência a ser paga. Caso a criança fosse do sexo feminino, ela teria que ser entregue ao culto para eles fazerem suas atrocidades de sempre. Pois adivinhem? Nasceu uma menina! A mãe desesperada recusa-se a dar a filha para o monstrão-vampiro e acaba morrendo. A menina é seqüestrada e o pai, enfurecido e armado com muitos homens de turbante vai até lá e desce o sarrafo no culto inteiro. O vampiro leva uma estaca no peito e jura um retorno e uma vingança. E é aí que eu tomo um susto imenso: depois de tudo isso, 15 minutos depois do início do filme, entram os créditos iniciais!
Agora outra história se inicia. A bebezinha do começo agora é um mulherão, apaixonada pelo melhor amigo. Este, por sua vez, está apaixonado por outra. Agora é só juntar a desilusão da garota com os planos de vingança do vampiro. Logo ela é atraída à montanha para tornar-se uma escrava do mal e amaldiçoar o amado e a sua relação amorosa com a outra. E até aqui anda não temos nem uma hora de filme. Até alcançar seus 145 minutos, ainda tem muita coisa para acontecer. São muitos filmes em um! Sempre amparados por muita música e números de dança inacreditáveis. Os maiores destaques residem na direão de arte e trilha sonora. Os cenários alternam entre locações de casas da classe mádia-alta da Índia e sets que parecem decorados por nossos melhores mentores carnavalescos. Já a trilha sonora foi descaradamente copiada de “Sexta Feira 13” e apresenta mais um trecho inteiro da trilha de “Uma Noite Alucinante”. Este trecho não foi copiado, não. Foi usada a mesmíssima trilha de Joseph LoDuca! Diversão garantida para toda a família. Coloque o filme no mesmo horário da novela das 8 sem avisar a sua avó e deixe-a pensar que a novela enlouqueceu!
Assista o trailer e entenda do que estamos falando aqui:
Parece mentira, mas não é. Na próxima quarta, dia 2 de setembro, Carlos Reichenbach exibirá o tão falado e pouco assistido "200 Motéis" na Sessão do Comodoro, primeiro filme escrito e dirigido pelo maestro Frank Zappa. A história gira em torno da dinâmica de uma bada de rock - Mothers of Invention - durante sua estadia na cidade de Centerville. Pelo menos é que se pode dizer ou se pode achar de que trata o filme. Ringo Star é o líder tirano da banda e Keith Moon uma freira safada. Reza a lenda que Zappa fez o roteiro baseado em conversas que ele gravou secretamente entre os outros membros da banda. E quem conhece Frank Zappa já sabe que a história não vai ficar só em conflitos entre membros de uma banda, blá, blá, blá. Teremos muita música e doses cavalares de insanidade visual e textual, suficientes para fazer o espectador sair flutuando do cinema - ou se internar na casa de repouso mais próxima.
Para quem não sabe (que vergonha), a sessão do Comodoro acontecerá, como sempre, no CineSESC (Rua Augusta, 2075), às 21h30. E quer mais? É de graça! É só retirar a senha com meia hora de antecedência e boa viagem!
Cabeça vazia, oficina do diabo, já dizia minha avó. Principalmente para quem tem tendências... hmmm... artísticas, ou até mesmo um diploma em artes plásticas. Junte a cinefilia com minha mania de querer sempre brincar com imagens bacanas e voilà! Eu me torno meu customizador de capas favoritos! E como todo artista adora um pouco de promoção e eventuais elogios (não se acanhem, amigos!), decidi inaugurar esta sessão para compartilhar com vocês, fiéis leitores, este meu passatempo. Se fizer sucesso, tentarei postar com certa frequência, baseado em temas por gênero, atores ou diretores. Claro que se vocês quiserem sugerir outros customs, estamos sempre abertos. Começamos com alguns filmes clássicos do tio Jess. O próximo post de "Coisas que eu adoro fazer" será de giallos. Ah! Estão todas em alta resolução! Enjoy!!!
Essa eu achei no blog High Fidelity. São os 50 melhores trailers de todos os tempos segundo o site IFC. Claro que é discutível (como anuncia a imagem do cabeçalho) e tem alguns altamente dispensáveis como "Voo Noturno" do Craven e "Os Estranhos". Qualquer trailer grindhouse, exploitation ou mesmo da Troma poderiam entrar no lugar desses. Mas ainda assim alguns trailers são realmente antológicos e alguns dirão que são até melhores que o filme. Eu destaco o "O Massacre da Serra Elétrica" (seco e brutal como o filme), o hilário "O Dorminhoco" de Wody Allen e o espetacular "Zabriskie Point".
Mas uma coisa há de se concordar: o 1º lugar dado a "Alien" não é desmerecido. Nunca tinha visto esse trailer em particular e quase tive um ataque de nervos aqui mesmo no computador enquanto o assistia. Sinistro!!!